NAVEMUNDO

Irashaimassê

Quando deixamos Kyoto,de volta a Narita para então deixarmos o Japão Rumo à Hong Kong sentimos que ainda há muito que se conhecer e estudar sobre o Japão. É um país muito interessante, desmistificou a imagem que tinhamos daqui.Em compensação criaram-se outras referências na nossa consciência deste lugar.
O povo é em geral, muito cordial e prestativo. A sua grande maioria não fala inglês.Mas algo nos diz que eles se comunicam bem melhor entre seus pares asiáticos.

   A sensação de estar em Tokyo pode ser comparada à caminhar numa esteira rolante,tudo é tão rápido e funcional que, ao chegar em Kyoto foi aquele momento exato em que saímos da tal esteira e até a gravidade parece mais forte.Tomado cuidado para não tropeçar nessa troca de ritmos experimentamos “brincar de japonês”alugando um pequeno apartamento, com direito a panela elétrica para preparar o Goham(arroz). Já Kyoto é bem mais traditional. Por exemplo não pudemos conhecer um Onsen (casa de banho)porque tenho uma tatuagem nas costas… =/

    Mas tem sorvete de chá verde e de gergelim,deliciosos.Aliás as doceiras daqui do Japão são um capítulo à parte. A preparação dos wagashis é também uma arte de delicadeza e precisão a base de ovos,feijão, arroz e cereais dos mais diversos tipos. Verdadeiras esculturas servidas em celebrações ou simplesmente como presentes, mas sempre representativos.
    Outro capítulo aqui são as crianças. Parecem recheadas de geléia de azuki,com suas bochechinhas rosadas e olhinhos que dão sempre a impressão de estarem sorrindo. Não sebemos com certeza o que faz dessas crianças mamíferos tão fofos e apertáveis. E são muitos.

Já no uniforme escolar aqui existe uma contradição. O das meninas é completamente fetichista, com mini-saias e meias até os joelhos. Já o dos meninos parece uma farda militar preto e sem gola . Até ajuda a compreender porque eles crescem tão sisudos, dentro de ternos 99% pretos, e elas transformam-se em libélulas fashionistas. O curioso é que testemunhamos muitas delas casadas com estrangeiros, e praticamente nenhum deles na mesma situação.
    Os idosos são igualmente meigos,mesmo os mais rabujentos.A face deles é de render um conto.Por exemplo, num dos inúmeros templos que visitamos, presenciamos um casal, onde ela fazia um retrato dele,no meio das ’sakuras’, segurando um galho cheio delas próximo ao seu rosto.No Brasil isso seria um consenso: – Coisa de viado!
    Mas o homem japonês por sua vez convive com uma sociedade , infinitamente mais educada. Onde  aprende a apreciar a natureza desde os preceitos religiosos e filosóficos, em casa e na escola. Então os mais velhos são, de uma maneira geral, expressões de uma vida inteira dedicada e simples.
    Então aprendemos a dizer : – Brazil Kara Kimashita.O que significa :somos do Brasil.

    Ah,meu Deus…. Se soubessemos antes o quanto eles conversariam conosco somente com essa frase mágica… Depois de dito isso, nem adianta tentar explicar que não falamos mais nada em japonês. É muito engraçado.
Arigatô Tokyo e Kyoto.

Do jardim zen a 25 de março do mundo !!!!

Kyoto é linda, pequena, mágica ! Como uma fonte da tradiçao japonesa, parece reagir a modernidade em cada nova temporada das sakuras, onde todos relembram a delicadeza e a arte tão presentes na cultura japonesa . Adoramos Kyoto e é estremamente recomendável passar pelo menos uma semana por lá . Na verdade, se for só pra conhecer, 4 ou 5 dias serão suficientes, dependendo da curiosidade do viajante . Mas o fato é que não é apenas nos templos e principais atrações que está a graça dessa cidade . E sim  nos detalhes, no modo como as pessoas se tratam, como se comportam no dia a dia, como a religião e a disciplina permeiam tudo o que acontece na vida dessas pessoas . No nosso caso, isso se deu naturalmente . Não ficamos em hotéis, mas alugamos um quarto, o que recomendamos fortemente . Todo equipado, essa locação nos permitiu fazer a própria comida, o que dá uma outra noção do lugar . Frequantamos os supermercados, experimentamos os temperos, fizemos do chá nossa principal bebida, enfim, conseguimos ( pelo menos na nossa opnião ) uma interação maior com o local .  E aí, de repente,  Kyoto nos acolheu e não parecia mais que estavamos do outro lado do planeta !!!  Realmente, foram muito inspiradores esses 7 dias que passamos na antiga sede da família imperial japonesa !

E aí, aterisamos em Hong Kong, mais precisamente em Kwoulom, em plena Natham Road, centro nervoso e intenso, com o rítmo ditado pelas compras, pricipal atração dessa parte da cidade .

Gueixas e templos !!!

Kyoto,  atrai milhares de turistas em busca do imaginário tradicional japones . Nesse mundo, lindas gueixas passeiam por bem cuidados jardins-zen, antes de se encontrarem com algum bem-feitor,  retornando de alguma batalha samurai !

Foram 7 dias em Kyoto ! Visitamos inúmeros templos budistas, vimos shrines no meio da rua do tamanho de edifícios de 4 andares, passeamos por antigas ruas tradicionais, vimos Kyoto de cima de sua torre, enfim foram vários lugares e experiencias inesquecíveis . Gostaria de ressaaltar as  Gueixas no distrito de Gion, o templo Ginkaku-ji, e o templo Nanzen-ji com seus subtemplos no meio do floresta .

Gion é um dos bairros de Kyoto que ainda guarda algumas casas de chá, onde persiste a tradição das gueixas e suas escolas . O número de Gueixas no Japão vem caindo drasticamente . Estima-se que existam apenas 1000 delas em todo o país . Antigamente era comum as mulheres casadas conviverem com o fato de que seus maridos ( somente os mais abastados !!!) passavam as noites se entretendo com essas figuras lindas e misteriosas . A modernidade e a evolução do papel da mulher são alguns fatores que contribuem para a redução do número das Gueixas no Japão.  Mas em Kyoto , ainda é possível avistar algumas delas . Num domingo de sol, quando estávamos fazendo o tradicional percurso a pé , na parte sul do Bairro de Hygashiama, nos encontramos com algumas dessas figuras  . Lindas e delicadas , pareciam obras de arte em movimento . Naquele domingo de sol, elas sairam as ruas para se fotagrarem ( e serem fotografadas…) em frente aos templos e jardins milenares de Kyoto. Imagens que para nós ficarão guardadas como pinturas que não são afetadas pelo tempo .

 O templo Ginkaku-ji ( Silver Pavilion ) foi contruído em 1482 pelo Shogun Ashikaga Yoshimasa, como um plano para sua aposentadoria . Após sua morte, o local foi convertido ( lógico ! ) em templo . Com seus jardins cuidadosamente podados rodeando algumas construções religiosas , mostra  a busca da harmonia como principal objetivo daquele lugar , e da filosofia japonesa . Cada temporada do ano pinta o jardim de forma diferente: as Sakuras na primavera, as folhas multicoloridas no outono, a neve no inverno e a luminosidade do verão, ornam e enfeitam o local . É impossível deixar de sentir algo especial e profundo, dentro desse templo .

O Templo Nanzen Ji poderia passar como mais um , não fosse uma experiência que passamos ali . Quando chegamos ao local ele estava bem cheio, como aliás estava toda Kyoto . O templo é realmente muito bonito , e hoje abriga a sede da escola-zen Rinzai . Passamos pela ponte em arcos e estávamos em busca de um ponto que tivesse uma vista panorâmica , uma vez que estávamos subindo e

seguindo a geografia do local . Até que limos no guia que era possível seguir o caminho dos aquedutos, morro acima até alguns pequenos templos . Tudo ia dentro do previsto até que avistamos uma trilha no meio da mata, montanha acima, paralela ao aqueduto e longe do fluxo de pessoas. Nem preciso dizer que resolvemos ver aonde dava aquela trilha . E seguimos seu caminho, morro acima por aproximadamente 35 minutos, em busca de um mirante, mas também da calma que se experimenta ao caminhar dentro da mata .  Buscando pontos que não estavam no guia, nos domínios  de um templo no Japão, para nós  a cigarra cantava música tradicional e os passarinho piavam símbolos do Kanji .Templo Ginkaku-Ji - Kyoto No meio da trilha, encontramos um grupo de idosos que vinham no sentido contrário . Foi uma delícia travar uma conversa de 10 minutos com aquele animado grupo, onde decididamente não nos entendemos, mas saí com a impressão de que nos compreendemos muito bem !!! Tanto que pegamos o caminho certeiro, indicado por eles, e chegamos a um conjunto de pequenos templos, no meio da mata ! Tínhamos achado ! Estava lá, uma pequena cachoeira caindo ao lado de uma imagem em cima de uma pedra, com algumas flores em volta e imagens sagradas . Um pequeno templo de madeira, como uma casa suspensa, pedras com incrições em Kanji vestidas com panos vermelhos e tranças de palha . Aquele lugar mostrava para nós, como era forte a ligação da religião japonesa com a natureza, e seu papel fundamental na busca da harmonia e iluminação espititual .

Kyoto é linda, pequena, mágica ! Como uma fonte da tradiçao japonesa, parece reagir a modernidade em cada nova temporada das sakuras, onde todos relembram a delicadeza e a arte tão presentes na cultura japonesa . Adoramos Kyoto e é estremamente recomendável passar pelo menos uma semana por lá . Na verdade, se for só pra conhecer, 4 ou 5 dias serão suficientes, dependendo da curiosidade do viajante . Mas o fato é que não é apenas nos templos e principais atrações que está a graça dessa cidade . E sim  nos detalhes, no modo como as pessoas se tratam, como se comportam no dia a dia, como a religião e a disciplina permeiam tudo o que acontece na vida dessas pessoas . No nosso caso, isso se deu naturalmente . Não ficamos em hotéis, mas alugamos um quarto, o que recomendamos fortemente . Todo equipado, essa locação nos permitiu fazer a própria comida, o que dá uma outra noção do lugar . Frequantamos os supermercados, experimentamos os temperos, fizemos do chá nossa principal bebida, enfim, buscamos uma interação maior com o local .  E aí, de repente,  Kyoto nos acolheu e não parecia mais que estavamos do outro lado do planeta !!!  Realmente, foram muito inspiradores esses 7 dias que passamos na antiga sede da família imperial japonesa !

Invasão Japonesa

A percepção desse país tem um quê de fantástico.Uma overdose de tudo… No meio de tantas pessoas, indo em tantas direções, seria natural pensar que é um caos, não ? Aqui, essa teoria não funciona. Existe uma previsibilidade, ou seja, na hora que o sinal fechar as pessoas estarão na calçada,passando carro ou não na rua.

Mas algo acontece, quando se relaxa e se esta mais a vontade dentro desse mangá.

Começo a sentir falta de gohan (arroz peguento) no bentô (box de lanche) se ele é só de Udon (macarrão). Aliás a comida é uma capítulo a parte. Seria mesmo sorte eles terem uma “amostra” de vitrine ou foto? Se vc for com a cara da foto ainda corre o risco de ser pura pimenta, temperada com alguma comida.E se não tiver certeza do preço antes,pode acabar pagando trinta dólares um prato de miojo com caldo de peixe . Com sorte….Descobrimos alguns macetes, e conseguimos por fim,comer comida de verdade a preço de MacDonald’s (daqui, lógico) .

E os sonhos ? Bom, passadas as produtivas horas insones do ajuste de fuso horário,agora nos damos ao luxo de sonhar. A verdade é que estamos apanhando para a linguagem estrutural do wordpress . (não conta p/ ninguém…) Mas para isso estão servindo as noites viradas como coruja .

Em dias de chuva fomos à alguns museus. O Tokyo National Museum, que está em todos os guias, e no Tattoo Museum, que está em um guia ou outro mais underground.

No primeiro vimos que o Japão tem mais de 5 mil anos de história registrada e é um povo que tem origens mongól, siberiana e polinésia. Nos encantamos com os equipamentos militares do Japão feudal, ou seja dos samurais. Na sala das espadas o Marco ficou hipnotizado com perfeição do fio das lâminas , e eu pelos tsuba e o kogai ( bainha e fecho das espadas ) . São obras de metal trabalhados, uma das peças mais refinadas que já vi na minha vida. As armaduras também riquíssimas, tanto que a alegoria lembra um cenário, literalmente. O que me surpreendeu foi o tamanho dos guerreiros; na minha cabeça os samurais eram gigantes. Mas estas armaduras não protegiam ninguém maior que 1,60mt. Tem a história da cerimônia do chá; os kimonos que são reais obras de arte de envolver o corpo; as máscaras Nô e Kabuki; tudo realmente simples e forte como uma cultura tão antiga e ao mesmo tempo ultra moderna pode considerar.

Já no Tatto Museum, em Yokohama conhecemos o trabalho de Horiyoshi III.Sua esposa gerencia o museu e Horiyoshi IV aplica tatuagens no andar de cima.Até ai, curioso. O mais impressionante é que eles fazem o trabalho da tattoo no modo tradicional, ou seja sem o uso da máquina elétrica, mas com ferramentas de perfuração que se parecem com pequenas lanças ou grandes agulhas . O museu é num espaço que ficou pequeno.Tem quase tudo relacionado a tatuagem,mas também tem umas bizarrices até exageradas,como uniformes penitenciários de assassinos e cabeças mumificadas polinésicas.Tudo no intuito de contar a história e curiosidades da arte de marcar o corpo no mundo.

Tentamos ir à um Onsen (casa de banho), já tínhamos tomado uns saquezinhos para espantar o frio daquele dia chuvoso,e o Onsen pareceu uma ótima idéia. Logo na entrada tinha três desenhos de veto. Um ombro todo tatuado, um com um tiozinho com a cara cheia e por último um sujeito de óculos escuros e um cigarrinho de canto de boca onde sujeria que mal encarados também não eram bem vindos. Bom,né ? ! Eu tatuada, o Marcão sem ver gillette nem tesoura a mais de dois meses…e os dois de saquê…”-Tá fácil!” Mas sem desespero, lemos no guia (lonely planet) que existem Onsen moderninhos que nos aceitarão.

Então, voltando ao luxo de se poder sonhar. Certa noite sonhei que entravamos em uma casa de banho, e eram piscinas como aquários. Enquanto procurávamos o nosso “tanque” passamos por um, onde havia uma mulher de costas, com a metade esquerda do corpo todo coberto por uma fênix e tal desenho era envolto pela lâmina de uma espada. E no reflexo da lâmina o corpo de frente da própria garota, onde perto da ponta estariam os olhos. Já num outro, sonhei que estávamos numa loja e não conseguíamos encontrar o que procurávamos (o que aconteceu de fato, algumas vezes ) , pois estava tudo espalhado e em kanji. A certa altura descobriram que eu tinha uma tatuagem e todos começaram a me temer por isso. Aí me empolguei e mandei arrumarem a loja por setor e com placas em inglês. ( aff ! )

Por último sonhei com as sakuras, lógico. E nos seus galhos por entre as flores se formavam frases em Kanji.

Percebi então que não viajamos para o Japão. Mergulhamos nessa experiência e fomos invadidos, corpo mente e alma pela cultura do japonesa .

Rockabillys na Terra do Sol Nascente

O Japonês é realmente um povo interessante . Um paradoxo em si mesmo, impressão que vem se reforçando com o passar dos dias , em nossa jornada pela Terra do Sol Nascente . Num país montanhoso, em que as poucas planícies são extremamente populosas, todos convivem em harmonia seguindo as regras de valorização e organização do coletivo . Dentro do trens , geralmente o que impera é o silêncio . Cartazes pedem que os celulares sejam colocados no modo silencioso . As pessoas que conversam ( raras…), o fazem sempre em tom baixo, sem incomodar o outro que geralmente está tão próximo. Existe um sentimento de consenso coletivo sobre as coisas . E ao mesmo tempo, não tem como deixar de notar a extrema necessidade que eles tem de expressão . Como uma vaávula de escape dentro de toda essa padronização . Fica mais fácil entender, por que todo japonês ADORA karaoke .

E assim, todo domingo perto da estação Harajuku do metrô essa necessidade explode em manifestações pessoais deliberadas, onde o objetivo é apenas…….chamar a atenção !!! E que aliás deu certo, simplesmente uma multidão se reúne alí todos os domingos .

É quase um zoológico . Em maior número estão as garotas . Vestidas com um misto de Mangá-Gótico adoram quando são fotografadas e passam o dia como celebridades , antes de pegar o trem de volta para os subúrbios de Tokyo, para mais uma segunda-feira normal de trabalho .

Além delas, punks e freaks saciam a carência alheia ( e a própria !) segurando uma pequena placa escrito : free-hugs , ao lado de um japonês emocionado cantando U2 de costas para a “platéia” .

Mas o “gran finale” estava reservado para os Rockabillys . Mas adiante, na entrada do Yoyogi park, também aos domingos os integrantes desses clubes se encontram para tomar cerveja, e ao som de música rockabilly cantada em japonês, dançar enfaticamente para todos os presentes .

 

 

 

 

 

 

 

 

Homens de camiseta regata branca e calça apertada , jaquetas de couro e topetes de fazer inveja, desenvolvem performances de fazer o John Travolta rever seus conceitos !!!

Ainda existem Kamikazes !!!

Tokyo é tudo aquilo que imaginavamos e muito mais . Multidões nos cruzamentos, alta tecnologia, grandes displays digitais , informação para todos os lados , muito dinheiro . Sem falar no modo muito peculiar dos japoneses se expressarem . Tokyo é fascinante !!!

Sábado acordamos cedo ( ajudados pela confusão de um fuso horário de 12 horas de diferença !) e fomos para o mercado de peixe, ou Tsujikijo . Famoso pela negociação de atum como num bolsa de valores, chegamos no mercado as 6 da manhã . A negociação em si já havia acabado, mas pelo tamanho e quantidade de Atum espalhados pelo chão dos galpões, dava pra se ter uma idéia do que tinha ocorrido algumas horas antes .

O mercado é frenético !!! São várias barracas administradas por suas respectivas famílias, vendendo todo o tipo de peixe e frutos do mar que se pode imaginar . Por entre os estreitos corredores cenenas de pequenos carros , manejados por Kamikazes transportando peixe para todos os lados , brigam por espaço . É preciso estado de alerta constante para não ser atropelado por um desses, onde a regra é clara: a preferência é deles.


Saímos de lá e fomos conhecer o antigo jardim da família Tokugawa, um dos mais importantes shogunatos da era feudal do Japão . Esse clã governou o país durante o Período Edo . O Período Edo , também conhecido com Período Tokugawa, é uma divisão da história do Japão que vai de 1603 a 1867. Esse período marca o governo do Xogunato Tokugawa (ou Edo) que foi oficialmente estabelecido em 1603 pelo primeiro Xogun Tokugawa Ieyasu. O período terminou com a Restauração Meiji, a restauração do governo imperial pelo décimo quinto e ultimo xogun, Tokugawa Yoshinobu. Tal período também é conhecido por ser o início do período moderno japonês.

O jardim transpira tradição e delicadeza.

Arvores cuidadosamente podadas como bonsais, descansam as margens de belos lagos que refletem a imagem ao redor . No meio desse cenário encontra-se uma bela casa de chá onde é possível comer um pequeno doce de feijão em forma de sakura ( a flor da cerejeira ), acompanhado de uma chícara de chá verde .

Um momento inesquecível, saborear aquele pequeno menú, descalços numa casa de chá em Tokyo, observando as flores da cerejeira voarem.

Alias, essas são um capítulo a parte . Só florescem 2 semanas por ano !!! Estamos tendo o privilégio de presenciar um momento sentimental da vida japonesa . Como disse um amigo nativo que conhecemos numa balada em Roppongi , um dos bairros da nightlife de Tokyo :

- “A flor da cerejeira é como o sentimento do japonês . Vive para florescer apenas 2 semanas por ano . O coração do japonês é efêmero…” E viramos mais um copo de sakê…..KANPAAAI !!!

“Toquianos” e sakuras…

Quando chegamos à Tóquio,mais especificamente em Narita,confesso que me assustei.Tudo em Kanji.E o inglês aqui é algo realmente a se melhorar,e muito.Bom,tudo tem sido uma descoberta.Os “toquianos” são muito interessantes.Há uma busca de identidade através do visual muito forte.Seja pela elegância,pela excentricidade.Aqui homens e mulheres,de todas as tribos pintam seus cabelos,das variaçoes de tons aos mais artificiais.Tudo vale e são bem aceitos.

Por outro lado,existe uma tradição tão intríseca em tudo.É mais fácil ver as pessoas com garrafas de chá verde geladas,por exemplo,do que com garrafas de água.

Dizer que a tradição e o hype andam juntos é clichê.Mas em que outra cidade do mundo se assiste um punk e uma gueicha dividindo o mesmo espaço,absolutamente em paz?Onde os jardins milenares saem na mesma foto junto à prédios cuja fachada é de placas fotocaptadoras?

Nos primeiros dias nos sentimos como num aquário.Andamos no meio do povo,e parecíamos uma gota de óleo num rio caudaloso…Uma torrente de pessoas que desviam,reparam talvez,num fração de segundos.Mas não se misturam.Teêm numa certa timidez o distanciamento educado e vedado.Nossas maiores interações foram com um Rapaz que morou um ano em Minas Gerais,o sagaz Kioske.E também com um ou outro estrangeiro perdido no vai e vem da multidão.No mais ainda estamos limitados aos arigatôs e konichiuas.Mas hà de se registrar que são, na grande maioria, de uma educação impecável.

Fomos abençoados.Aterrizamos em Tóquio durante as únicas semanas do ano em que as sakuras(flores da cerejeira)tomam conta da cidade.A delicadeza das cores e das formas que elas envolvem a paisagem é um poema.Mas quando as pétalas levadas pelo vento,dançam,leves e salpicadas, o que temos então é mais um vislumbre musical.Porém a arte japonesa,como todos sabem,é minimalista.Tais musicas e poemas não poderiam ser diferentes.E penso que, começo a entender a arte minimalista como um sentimento.De uma beleza infinita dentro de sua efemeridade.Como algo que existe para despertar algo melhor e mais apurado dentro de nós.

Quando partem a raridade é sua lembrança.

Ohaio, Tokyo!

Sexta-feira, 4 de abril de 2008 – Tokyo

E por fim chegamos a Tokyo !

Nosso trajeto do hotel em Narita até o hotel em Tokyo teria sido muito tranquilo se não fosse por um condutor de trem , bafo de onça que deve ter brigado com a mulher a noite inteira, antes de ir trabalhar .

Voltamos do hotel para o aeroporto com o intuito de pegar o trem para Tokyo . O ingles não é muito falado por aqui, e aos trancos conseguimos a informação de qual tipo de bilhete comprar, uma vez que são inúmeras linhas, de empresas diferentes, e não necessariamente os bilhetes conversam entre si . Compramos o Suica+Nex, que dá direito a uma linha espressa de trem do Aeroporto até Tokyo e mais um cartão que pode ser usado em várias linhas, inclusive na JR, uma das mais importantes . Até aí tudo bem . Deciframos o intrincado mapa de horários e linhas de trem na estação, tudo em Kanji ( um dos alfabetos japoneses !) e esperamos pelo que achavamos que era nosso trem . Pontualmente as 08:14 ele chegou, nos informamos sobre qual era o vagão e o assento e descansamos. Até a chegada do nosso amigo que deve ter uma mulher bem feia em casa . Sem falar nada em ingles, pede nosso ticktet e diz, :

- Standurape !!!( ou stand-up, para os leigos…)

Escreve qualquer coisa no bilhete e fica apontando para saída, tudo em japones . Diz de novo :

- Standurape !!! e vai embora …

Sem me alongar demais, estavamos no trem das 8 e 14, e tinhamos comprado para as 7 e 44 . Não que desse para ler nada no bilhete . Ou ainda que o vendedor ( que não falava inglês ) tivesse nos avisado que estavamos comprando as 7 e 43, um bilhete para as 7 e 44 !!! E a P do trem estava vazio, e tivemos que fazer todo o trajeto em pé com várias cadeiras vazias . Fora o fato de que havia pago algo em torno de U$ 70,00 pelo pacote que descrevi acima !!! Mas não teve jeito . Nem a doçura de uma funcionária do trem que tentou nos ajudar e conversar com o carrancudo condutor, foi suficiente para abrandar o bafo de lula desidratada do codadão, fomos de pé !!!

Passado o incidente, quero dizer que debutamos ! Acertamos as estações, o sentido das viagens, quais as conexões e todas as demais dificuldades de se andar pela primeira vez no metro japones, e tudo em Kanji !!! Com disposição e muita criatividade, chegamos ao nosso destino por volta das 9 da manhã de hj .

O check-in era só as 3 da tarde . Deixamos nossas bagagens ( por mimica, pois a recepcionista além de não falar nada de inglês era incrivelmente tímida ) e fomos dar a primeira volta pela cidade . Fomos para o lado da Baia de Tokyo, nos arredores da estação de Daiba . Sem grandes atrações, a graça realmente ficou com o fato de estarmos andando por Tokyo . Além é claro de estarmos na primavera e as cerejeiras estarem todas floridas, colorindo nossas visões de rosa e branco . Realmente lindo !!!

O Japonês é muito interessante . o sentimente de coletivo é muito superior ao individual, contrastando com nossas impressões de Los Angeles, onde nem metro nos encontramos . É comum encontrar pessoas usando mascaras, do tipo cirurgicas, nas ruas . Não por medo de se contaminarem, mas para não contaminarem as outras pessoas com sua gripe ou resfriado, ou qualquer coisa que o valha .

Outra coisa que salta aos olhos, e o estilo das pessoas . Homens ou mulheres, mas especialmente as mulheres . Parece que toda a rigidez da educação japonesa, e da necessidade de se enquadrar nos padrões coletivos, explode na extrema expressão da individualidade através das roupas . Sapatos bicudos, saias de oncinha, polainas com saltos cor de rosa, passeiam tranquilamente com mini-saias e botas pink . É incrível !!! Num grupo de 10 adolescenetes no Brasil, todos parecem meio parecidos pela moda ou tribo a que pertencem . Aqui, é fácil encontrar 10 individuos se expressando, cada um a sua maneira . É o coletivo convivendo com o individuo, formando uma sociedade com muita identidade e expressão .