NAVEMUNDO

Singapura Express

Nossa viagem agora entra em um período de transição, com passagens rápidas por Singapura , Malasya e Seoul, antes de chegarmos na Mongolia a tempo de assistir ao Naadam ( 2 dias de feriado com competições de Corrida de Cavalo, Arco e Flecha e Luta-Livre ). Precisamos nesse meio tempo, conseguir o visto de entrada na Mongolia, reservar nosso hotel, e planejar nossa viagem para a Russia, onde pretendemos ver o eclipse total do Sol, no dia 1 de agosto, que vai acontecer mais precisamente em Novosibirsk, no Sul da Russia .

Passamos 4 dias em Singapura e 4 dias em Kuala Lumpur .

Singapura é uma cidade moderna, limpa e organizada . Com leis rígidas e multas para todos os tipos de infração, Singapura tem uma das maiores taxas de execuções da Pena de Morte, por habitante, no mundo . Também é uma cidade bem cara . Uma garrafa de Tiger, a  cerveja local , (tomada num boteco daqueles que no Brasil toca Reginaldo Rossi e serve baião-de-dois), custa 6 dolares . Nos bares de frente para o rio na região dos Quays, um pint ( 500ml) custa no mínimo 12 . Se for Stella Artois sobre para 15 dólares .

Já sabíamos disso antes de chegar na cidade, e reservamos um quarto privativo num albergue por 78 Singapore dolares, o que dá aprox, USD 58 . Uma pechincha naquela cidade . Nosso quarto tinha ar-condicionado, mas não tinha janela . Além do quarto, podíamos usar a máquina de lavar, a cozinha e a geladeira, o que garantiu nosso café-da-manhã, com cereais, leite, bolos e tudo o mais que comprado no mercado é infinitamente mais barato do que comprado na bakery, cake house . E além disso, a localização era perfeita, a apenas 3 min. caminhando da estação do Metro . Se chamava Bugis Backpackers.

Uma das principais atrações turísticas de lá são as compras . Cidade consumo como nunca antes tinha visto . Nem em Hong Kong . Passeando pela Orchord Road, pudemos ver um shopping atrás do outro, numa sequencia interminável de mega-empreendimentos . Fora os que estavam em construção .

Para comprar eletronicos , o lugar mais famoso é a SinLim Square, algo como o paraíso do Law King Chaw . Parece a Galeria Pajé só que infinitamente melhorada,  com todos os seus 8 andares climatizados . É um enorme shopping de um quarteirão só de eletronicos . Notebooks, cameras, MP3, MP4, Desktops, tudo de última geração, são ofertados da porta das lojas pelos selvagens vendedores . Tipo :

- Hey, You !!! Came here !!! Cheap Price, Cheap Price !!!

Só que pra comprar lá vc tem que barganhar ! Tudo está no mínimo 30% ( no mínimo, hein !) acima e nào sei se tudo ali é verdadeiro . Dá pra comprar, por exemplo, lente de camera fotográfica com e sem garantia, sendo que essa última é metade do preço !!! Vai levar hoje freguesa !!!

Além das das compras , andamos pela Little India e China Town onde nos perdemos no meio das ruas abarrotadas de lojas e camelôs vendendo todo o tipo de coisa . Visitamos um templo Hindú bem interessante, bem como um templo Budista, lindo, com uma enorme roda de oração no telhado, observada por 10.000 pequenas estátuas de Buda . Nem preciso dizer que se trata do Templo dos 10.000 Budas . Me fez lembrar o templo dos 1.000 Budas em Kyoto, só que lá eram 1.000 estátuas grandes, forrando uma enorme sala com mais algumas entidades do Budismo japonês .

Também tiramos um dia para conhecer o Zoológico de SIngapura e o Jardim Botânico, com seu bem cuidado jardim das orquídeas . O Zoológico nem de longe se parece com aqueles animais tristes e confinados tão comum de se ver em zoológicos menores. Os projetistas fizeram direito e recriaram os ecossistemas naturais das espécies, em grandes áreas . COm excessão do urso polar….diga-se a verdade .. Fui lá decidido a ver o dragão de Komodo, que não pude ver na Indonésia  . Já o  Jardim Botânico é um enorme parque que abriga o Jardim das Orquídeas . Tem uma bela seção de orquídeas premiadas e outra de coloridas bromélias que valem a visita .

Como se dança em Bali ?

Saímos de Kuta e fomos pra Ubud . Estava ansioso para conhecer uma Bali um pouco mais próxima daquilo que eu imaginava . Sempre soube que não era assim uma lugar para poucos, inacessível, mas pizza hut, mc donalds, dolce & gabbana, já é demais !

Logo no caminho para Ubud, a paisagem começou a mudar e pudemos observar as vilas ao redor dos centros turísticos . Sem a maquiagem turística, Bali começa a mostrar sua cara simples , natural, com cara de vila  . A diferença para algumas vilas praianas do Brasil, é o exotismo dos costumes que não estamos acostumados, como as pessoas de sarongue, os diversos templos nas ruas, as oferendas por todas as partes, entre outras particularidades .

Ubud é a capital cultural de Bali . É aqui que a tradição da dança, da pintura, da música , da escultura, do batik ganha sua expressão máxima . A arte parece estar incrustrada no seio da sociedade, não como uma coisa especial e para poucos, mas como uma atividade cotidiana. Como disse a esposa de um pintor que conheci numa trilha entre campos de arroz , após eu elogiar um dos quadros :

- Quadros bonitos, mas bad business….Sem emoção nenhuma.  Nem sequer valorizou o trabalho do artista que no caso era seu próprio marido .

Ubud parece Parati, cheia de ateliers de jóias em prata e ouro, de pintura, de escultura, bons restaurantes, apresentações de danças tradicionais todas as noites….

No caminho para Ubud, conhecemos um casal de ingleses muito gente boa que passaram 2 dias conosco . O Steve , um ingles tradicional que adora cantar, e a Fauze, filha de paquistaneses , que faz com que não falte nunca assunto nas conversas .

Tivemos muitas experiências boas em Ubud . Fizemos uma caminhada pelos campos de arroz, no perímetro rural que foi muito interessante . Foi a primeira vez que vi de perto o modo asiático de plantar arroz, com seus terraços e canaletas por onde escorre a água e irriga todo o campo . Pudemos ver os camponeses trabalhando em belas imagens de campos verdes e chapéus de palha pontudos , se destacando bem no meio da plantação . No meio do caminho conhecemos um artista plástico e músico, o Nyoman ( que significa ser o terceiro em nascimento . Pela ordem : Wayan, Madê, Nymoan e Katut, sendo que I, na frente para homens e Ni na frente para mulheres . ), que nos ensinou um pouco como se toca o tradicional instrumento de bambu, que se assemelha a uma marimba . Foi muito legal a interação musical que tive, ali no meio do caminho entre os campos de arroz, aprendendo a tocar a marimba, sob os olhos atentos de um camponês mais idoso, que observava toda a cena .

Outro ponto alto, foram as danças tradicionais . Pudemos presenciar o Barong, o Legong, o Kecak e o Fire Dance .

O Barong é uma entidade do bem, representada por uma figura de dentes salientes e olhos saltados, com corpo repleto de  pelos .Metade Leão, metade cachorro é ele  quem protege as pessoas dos maus espíritos, representado pelo Dharang . A dança do Barong é a reprensentação de uma luta entre as duas entidades, vencida pelo Barong no final.

 A dança Legong é feita por duas dançarinas lindas e ricamente vestidas . Seus movimentos são idênticos, e caracterizados pela magnífica  expressão do olhar e pelo curioso movimento das mãos, onde nenhum detalhe é por acaso . Todas as duas danças, foram acompanhadas de uma orquestra de Gamelan, que é o estilo tradicional Balinês . Essa orquestra é formada basicamente por um instrumento parecido com uma marimba só que de metal, que emite um som afinado e metálico, acompanhado de tambores com peles dos dois lados, gongos e marimbas de bambu . Todos juntos, dão maior ou menor tensão as cenas, tendo em alguns momentos algum efeito hipnótico, realçando mais ainda seu caráter tribal .

Mas de todas as danças que vi, a Kecak Dance foi de longe a que me transportou diretamente para um filme do Indiana Jones, no meio de alguma tribo isolada, mesmo sabendo que estava assistindo um espetáculo turístico, que havia comprado minutos antes por 10 dólares o casal !!! No centro da roda um enorme candelabro com várias velas acesas, iluminando a penumbra proposital do ambiente . Em volta , aprox. 100 homens  sem camisa , com uma flor branca e uma vermelha de cada lado da orelha, entoavam persistentemente o tal : ( Fala-se quetchak )

- Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak Kecak, com as mãos para cima .

Numa espécie de coro algumas vozes entravam no contratempo, e ao fundo duas outras vozes narravam os acontecimentos com timbre agudo e arranhado, de aspecto sinistro. No meio da roda, dançarinas de expressão arregalada, contracenavam com seres símios, reis furiosos, ou homens pássaros ( o Garudá ) . Muito forte e interessante ao mesmo tempo !

Além da dança e dos campos de arroz, aproveitamos nosso tempo para aprender mais sobre a cultura Balinesa, que tem em Ubud sua maior expressão . A Juliana comprou um curso de Batik que não fiz, mas acompanhei de perto. É fantástico o que se pode fazer com o tecido, num processo onde deve-se pensar como um negativo de foto enquanto se está aplicando a cera e a parafina, para BLOQUEAR, onde a tinta vai ser passada, e assim montar os desenhos. Nesse dia, além de aprender o processo do Batik, ainda tivemos um relato sincero da vida de um artista balinês, o Nyoman Warta . Ele nos contou como decidiu largar a vida de trabalhador rural nos campos de arroz, criando e vendendo patos para pagar seu material de pintura e desenho . Como fazia dos galhos das árvores seus pincéis e da mistura do pó do carvão com água, seu grafite, para produzir desenhos em preto e branco, que vendia para comprar mais material e continuar com sua arte . Ainda, nos mostrou a pequena choupana em que dormia com os 7 membros da família, antes de construir sua casa com o dinheiro que ganhou vendendo Batik e suas pinturas . Foi interessante entender a maneira coletiva que eles constroem as vilas familiares, com uma casa para ele e a mulher, outra para os país, outra menor para as crianças e apenas uma cozinha para todos, o que segundo ele, impede que os familiares fiquem tempo demais na rua !!!

Você tem fome de quê?

Comer nessa viagem tem sido uma aventura a parte, nesse ponto especificamente a nossa terra natal é ouro puro! Saudosismos a parte, a comida no Brasil é de maneira geral barata,  até em termos de carnes nobres . Mesmo as porções dos nossos  “a la carte” franceses são mais fartas que na própria França ( e se não for, não coma! porções francesas no Brasil, à preço francês é no mínimo ridículo) 

 A comida brasileira é deliciosa….

No Japão vimos sushi de carne (vendida tão somente dessa forma) com preço de 90U$ o quilo, com 10U$ você escolhe se vai um pequeno papaya OU uma mexerica de sobremesa. Os nipônicos consomem pouquíssimo derivados de vaca (incluindo a própria), a carne mais comum deles é a de porco, depois a de peixe. E eu sempre pensei que fosse o contrário…

Em Hong Kong fiz algo inimaginável antes, dei graças ao bom Deus quando reconheci entre placas de fotos de comidas e cheiros indecifráveis a cara branca, vermelha e amarela do Ronald MacDonald….Eu o fiz, confesso! Imagino como é que um lacto vegetariano vegan da vida existe se tirarem o leite de soja do cidadão. Melhor regime não há.

Falando em regime, seria uma ótima oportunidade para eu perder aqueles 3 quilos (quase todas as mulheres que eu conheço querem perder 5 mas sempre dizem que 3 tava bom…) O pouco de comida que não é pele de frango picada, cartilagem de alguma coisa agridoce (enquanto eu não sabia, confesso que até gostava) ou vem boiando em algum caldo escuro ( que pode se tratar do próprio sangue), trata-se de comida extremamente oleosa. Se é de comer então frita! Tudo, absolutamente tudo aqui se come frito, e as vezes além de frito vem boiando! Hummm yumy!

Crú nem pensar…. Socorro,né?!

Mas já estamos nos virando melhor…Apesar de a culinária chinesa ser quase tão unanime quanto branco dos olhos por essa região, ( e não pense que estou falando do bife em tiras do diskchina…) Sério! Tirando o Japão, toda a Asia entende o nasi goreng ou mie goreng. Nasi=arroz;Mie=noodles;goreng=frito. Todos vem com um ovo em cima… De muito apimentado à ensopado, já comemos isso em vários cafés da manhã inclusive.

Em Bali tivémos a chance de fazer um curso de culinária, e descobrimos a infinidade de pimentas, de gengibres e especiarias com que eles colorem a comida.Gus Loka, nosso professor perguntou se alguém da classe tinha problemas com apimentado, eu disse que sim, afinal caso vcs não saibam isso machuca o estômago… Aí, ele gentilmente dispensou umas três pimentas das seis (do tipo chilli) pensei: Que amoooor! Matei uma porção inteira de arroz só para aliviar (santo arroz!)

Já experimentamos sushi de água viva,molho de amendoim, curry com coco, curry com qualquer coisa, na verdade. Feijão preto torrado ( como amendoim, mas muito gostoso), chá de cevada, três ou quatro tipos de chá verde (for a o branco e o preto que derivam da mesma planta) polvo desidratado, molhos de tudo que se possa pensar, dragon fruit até pão de queijo coberto com açúcar crystal e leite de soja com vagem, entre outros.

Mas a verdade é que estamos acostumando. Lógico que vez ou outra pagamos um mico básico, mas já sabemos quais armadilhas evitar (pelo menos até agora). A primeira coisa que aprendo na língua é sem pimenta, e a segunda é obrigado. O resto vira blog!


De Denpasar a Kuta

Chegamos a Bali antes de ontem. Depois de uma maratona nunca antes imaginada: Auckland, Sydney, Bangkok, Denpasar em 5 dias. Lógico que o primeiro contraste foi o calor, o choque do inverno da Nova Zelândia para o inverno da Indonésia tem diferença de atmosfera e pressão latentes.

O caminho do aeroporto até Kuta, já dava uma dica de como essa ilha se transformou de hit da década de 70 para um conglomerado turístico de altíssimo pontencial (explorado, diga-se), que recebe muito bem todos os budgets. De mochileiros à milionários Bali tem muito, mas muito mesmo de todos eles, especialmente em Kuta. Também coincidiu nossa chegada aqui com as férias de verão do hemisfério norte, e por isso tivemos uma visão surreal, no fim do nosso primeiro dia, na praia, numa areia abarrotada de gente em kuta.

Aterrizando em Bali tratamos logo de pegar um hotel do aeroporto mesmo, e quando lá chegamos qual não foi nossa surpresa ao descobrir que aquela bela pracinha na frente é na verdade um memorial às vítimas dos atentados terroristas sendo o último em 2005. Deixamos a primeira noite paga mesmo, e mudamos dali naquele instante. Por uma Bali menos mórbida…

Com mais de 3 milhões de habitantes distribuídos por pequenos cinco mil e poucos quilometros quadrados, a maioria hindu revela-se em cada porta, com oferendas e incensos, que são ofertados várias vezes ao dia, em todos os lugares imagináveis.

Os que mais me chamavam a atenção são as oferendas dos veículos, carro, bicicletas e motocicletas, essas últimas por sinal dominam a Indonésia de uma maneira geral.

Existem dois tipos de oferendas, com mais ou menos o mesmo aspecto, porém as postadas no chão são feitas aos demônios, com o intuito de acalama-los e as ofertadas em altares ou plataformas são destinadas aos deuses. E todos parecem conviver na mais perfeita harmonia. Tive a chance de conhecer um rapaz que vende os pacotinhos que compõe a tal oferenda. Se bem entendi, um que é uma trouxinha de palha, é composto por arroz frito embebido de calda de açúcar queimado.

Outra é um disquinho de açúcar prensado, e tem também uma cestinha de massa doce frita, parece a nossa massa de pastel, só que doce. E essa útlima ele me presenteou para que eu experimenta-se. Sua esposa prepara tudo em casa e ele sai para vender. Ao que tudo indica vende tudo, pois tais oferendas são feitas mais que uma vez ao dia. Se os deuses gostam, eu não sei. Mas eu gostei!

Todos te recebem com um sorriso. indonesianos são muito amáveis e gostam de conversar. O turismo é a fonte maior de riqueza hoje e faz de Bali a ilha mais rica do arquipélago.

No nosso segundo dia em Kuta, uni-mos à multidão nas areias da praia, ouvindo o som eletrônico de um dos inúmeros lounges ao longo da praia. Foi quando apareceu Mamelukoh, uma balinesa de meia idade com um sorriso enorme no rosto perguntando em que nos poderia ser útil. Agradecemos e em vez de “No Thank’s”(haja visto que a oferta também for a diferente) lhe respondemos que um sorriso seria suficiente. Foi a conta! Não só um sorriso, como já sentou do nosso lado e engatou numa conversa leve e muito gostosa. Tirou foto comigo e nos ensinou algumas palavras em balinês. Seu marido veio oferecer tattoo de henna, mas não se interessou pelo nosso animado papo. Ele foi e ela ficou, foi muito interessante, enquanto eu fui no mar, inaugurar pézinhos no mar da Indonésia, ela elogiou as sombrancelhas do Marco umas três vezes. E antes de ir embora depois de desejar muitos anos de vida e felicidade para nós me solta um :

-And Marco is very hot…. Passando as mãos sobre as próprias sombrancelhas e apontando para ele. Eu pega de surpresa:

-Excuse-me? O Marco repetiu e ela também, os dois olhando para a minha cara. O melhor que respondi foi

-Thank you! E ela partiu.

Não sei o que me atrapalhou mais, a situação inusitada em que me vi ou uma nuvem gigante de mosquitos (que segundo a Mahmelukoh não picam) que cobriu não só a nossa cabeça mas a praia inteira. Foi engraçado.