Lua Minguante na Nova Zelândia
A Nova Zelândia é verde! Chegando aqui, o primeiro fato o qual tivemos conhecimento foi o de que essa natureza toda fora cenário para os takes externos de “O Senhor dos anéis”.Não à toa, a natureza dessa ilha pequenina é de uma exuberância mística mesmo. 
A Silver Fern (samambaia de prata)uma espécie comum no país. As folhas, na parte de baixo, possuem uma coloração branca fluorescente. Os maoris costumavam utilizá-las quando entravam na mata: eles dobravam as folhas para que o lado branco ficasse para cima, a lua batia na parte branca, que a refletia e iluminava o local por onde passavam. Os neozelandeses têm um apelido famoso e por todo o mundo são comumente chamados de kiwis. Muitos se surpreendem quando descobrem de onde esse nome realmente vem: apesar de ser mais conhecido por causa da fruta, o nome, na verdade, vem de um pássaro. As belíssimas terras verdes da Nova Zelândia é lar de espécies únicas de aves, e, entre as mais conhecidas, está o kiwi. Foram os maoris quem deram o nome ao pássaro, por causa do barulho que faz – algo como kiwi, kiwi, kiwi – e foram, também, quem primeiro o transformaram em símbolo, por lhes remeter a algo mágico, que representa sorte, amor e felicidade. É uma ave noturna, que não voa, e com uma plumagem que mais parece cabelo do que penas. Parece um patinho com bico de beija-flor.
A explicação mais aceita para se referir aos habitantes como kiwis remonta provavelmente à época da Primeira Grande Guerra, quando os soldados do país adquiriam esse apelido – pois na tampa da cera para engraxar as botas havia uma figura do kiwi. No mercado financeiro internacional, o dólar neozelandês é freqüentemente chamado de kiwi – um dos lados das moedas, aliás, têm a figura da ave gravada.
Vejam vocês que é a pressa. Tudo o que tínhamos planejado para New Zealand era acerca de Queenstown, na ilha sul. Quando compramos a passagem, a moça ainda perguntou: -Auckland or Christhchurch? Como “os bacana”aqui não tinham estudado nada, naquela imensa colônia de férias chamada Austrália… nos fiamos no nosso conhecimento geográfico, e uníssonos: -Auckland! (Nunca tinha ouvido falar de Christhchurch, parecia nome de mosteiro…) Para resumir a missa, é como você comprar uma passagem para Porto Alegre quando na verdade quer conhecer o Ceará. A diferença é que tem um ferry no meio e ,no nosso caso, um trailler reservado (e irreversível) já da Austrália. Em dez dias, se realmente fizéssemos o trajeto Auckland-Quenstown, iríamos gastar o dobro do nosso budget e dirigir 90% do tempo. Cosnternados, resolvemos curtir a ilha norte. Que é um turismo mais voltado para o verão, e aqui, como no Brasil, acabou de começar o inverno.
Tudo isso para justificar nossos dez dias de contemplação da natureza, introspecção, balanço e uma certa preparação do que esta por vir: a Ásia.
Vulcões, esse pequeno par de ilhas do pacífico é apinhado deles. O que dá um visual ainda mais distinto. Rotorua e Taupo,essas foram as cidades que escolhemos para conhecer, e são boas expressões desse lado de cá da Nova Zelândia. Equipados com um motorhome (gigante perto dos que experimentamos até agora, tem até toillet!Com chuveiro!;)

Foi em Rotorua que experimentamos as piscinas termais daqui, de até 42 graus celsius (fizemos cozido de brazucas).

Foi lá também que conhecemos o trabalho de um cara chamado Elton Buchanan num estúdio de tatuagem. Ele é de origem inglesa provavelmente, mas um profundo estudioso da simbologia Maori, foi ele quem nos explicou mais sobre o significado dos traços e padronagens. Como por exemplo o fato de que os traços originam da arte em esculpir madeira. Quando se faz um desenho maori, este deve ser ¨traçável¨ num formão.
Foi um susto quando, logo no primeiro dia, dentro do mercado nos deparamos com um senhor aparentemente normal não fosse o rosto completamente tatuado, fazendo suas compras do mês. Já as mulheres,são marcadas no queixo,abaixo do lábio,muitas vezes incluindo os lábios, depende da tribo no caso delas, ostentam sua aliança de casamento no rosto. Ta Moko é o nome das tattoos do rosto. Já no caso dos homens não são somente os votos do casamento (cobrem o rosto todo, muitas vezes boa parte do corpo também) contam sua história. Como uma aliança com suas escolhas, sua fé e também um ornamento de proteção. A arte de decoração dos corpos pelos maoris é conhecida como Ta Maoki.
É fascinante, uma linguagem fantástica mesmo. Cada traço tem um significado. E eles podem ler as maokis uns dos outros. Linhas e padrões podem indicar quantos membros a família tem, qual a posiçao dentro da tribo (se trata-se de um chefe ou guerreiro), se é casado, quantos filhos tem, os medos que quer vencer e as qualidades que lhe é atribuído.
A cultura maori aqui é completamente integrada à sociedade como um todo. Nomes de ruas, parques e cidades são em grande parte em maori.
De expressão forte, eles tem um biotipo completamente diferente do aborígene, são mais arredondados se é que posso assim dizer. E teêm claras as raízes da polinésia; corpo grande, rosto ovalado e olhos gateados. Cabelos sempre compridos, na maioria das vezes encaracolados.
Ricos nas simbologias. Por exemplo, antes de uma batalha, eles executam uma coreografia como uma dança mesmo, todos juntos e quando terminam fazem uma careta, que trata-se dos bem olhos arregalados e a língua esticada para fora, como que uma carranca, o que significa que estão prontos para a luta. Quando se encosta a testa e o nariz, um contra o outro, segundo eles divide-se o mesmo sopro da vida, deixando de ser um estranho e passando a fazer parte da tribo.
Guerreiros, viviam em disputas intermináveis entre as diferentes tribos deles antes dos ingleses aqui chegarem. Comeram todos que tentaram aqui pisar antes do capitão Cook. Não cheguei a estudar o porquê, mas com o Cook e sua esquadra foi diferente.
Nesse periodo de introspecção imaginei a seguinte história: Capitão Cook que já estava feliz da vida de ter descoberto a Austrália, já estava acostumado com sua turminha aborígene, sabia que tinha mais umas terras por aqui. Muito entusiasmado, montou sua esquadra e veio. No meio da viagem notou o frio gélido que vem do sul(aqui é bem mais perto da Antartida). Ora, todos sabem como piratas espantam o frio: se afogam no rum.
Aqui aportou, e quando os maoris começaram a dança ele achou que era festa e abraçando o chefe começou a dançar também. Os Maoris por sua vez, ficaram meio na duvida se reagiam ou não,pois afinal o Capitão cook e o Chefe estavam dividindo o sopro da vida. Ou seja, quem conquistou a Nova Zelândia, (segundo euzinha), foi o RUM meus caros…
Imaginem na hora da careta da língua para fora então….!
Mas lógico, que a história desse país, a terra das nuvem longa e branca… é outra. E saímos daqui com uma certeza: a de que precisamos voltar e conhecer a ilha sul.




