NAVEMUNDO

Mulheres e canções, crianças e cavalos…

A mulher mongól é ímpar na história do mundo.Conhecemos casos de mulheres que fizeram a diferença na história de seus países, até mesmo mundial. Personagens com características fortes e histórias de vida marcantes. Porém a mulher mongól tem um papel fundamental na cultura de seu povo.

Uma sociedade matriarcal diferente pois, papéis aqui são muito definidos como em qualquer sociedade tribal. Prevalecendo os homems nas posições de maior respeito.

Pense numa mãe que põe seu filho de apenas três anos de idade montado em pêlo num cavalo para percorrer uma distância de até 30 km, onde o cavalo pode até morrer de exaustão no meio do caminho. Lá foram os direitos humanos estabelecer a idade mínima de 7 anos, a contra gosto do povo em geral…

A mulher mongól participava das batalhas como igual, em responsabilidades e habilidades. Dos filhos de Chinggis Khan, os líderes que se destacaram foram, de longe suas filhas. O Grande império Mongól por ele conquistado, começou a ruir a partir dos domínios e governos de seus filhos e netos homens. Não que tenha ruído por conta disso, mas ainda assim um fato curioso.

Quem canta seus males espanta. Sim o povo daqui parece Phd no quesito cantoria. Eles cantam para tudo. Ao acordar de manhã, para ordenhar o rebanho, para bater o qualho, para fazer o fogo…. Eles tem música para todos e todas as situações. Os tuvanis por exemplo, uma minoria que habita próximo a fronteira noroeste com a Russia, desencolveu uma técnica de canto que usa as cordas vocais como verdadeiros diapasões. Criando uma música única e fascinante. A família que gerencia a guest house onde ficamos em Ulaan Bataar, a Khongor guest House também é uma família de músicos. Degui, a mãe é dona de uma voz aguda e elegante, e Khongor o filho mais velho é um instrumentista virtuoso e dedicado, Morin Khuur é um instrumento parecido com um violino, ou com a nossa rabeca. Quase todas as músicas são inspiradas ou na natureza ou nas histórias de Genghis Khan. A vastidão da Mongólia parece o cenário perfeito para manisfestações musicais dessa natureza. E os clipes musicais aqui exploram bastante isso, cenário, natureza e cenas do cotidiano nômade.

Mongolia , primeiras impressões !

Diz a lenda que Temujin,aos vinte anos de idade teve sua noiva roubada por uma tribo rival, coisa que era bem comum lá pelo século XIII por aquelas bandas da ásia…. Cansado das intermináveis disputas entre tantas diferentes tribos, Temujin resgatou sua noiva e resolveu unificar todas as tribos. Como? Conquistando cada tribo, matando seu líder e incorporando cada parte do que ficaria conhecido historicamente como o Grande Império Mongol. Foi assim que Temujin virou Genghis Kan, que significa líder universal. Uma história que esta tão instríseca a do povo mongol que possíveis lugares de nascimento, sepultamento e datas referentes são tidos como sagrados também.

Uma das menores densidades demográficas do mundo em conjunto com a cultura nômade faz a Mongólia ser quase inabitada. Além do fato de ser o único país que tem a maioria de seus cidadãos morando no exterior.

Viajar pelo interior desse país é fascinante. Porém, requer espírito de aventura. A baixa infra estrutura dá uma cara de “acampamento selvagem” a quase todo o percurso. Para poder admirar a infinita gama de cores que o deserto de Gobi pode apresentar, entramos numa expedição de oito dias.

Descobrimos um deserto que não é bem como o nosso imaginário desenha. O Gobi tem habitantes, esparsos ou seja, há vida. Além de alguns vilarejos, que abastecem as família nômades de suas regiões e foi com essas famílias que pernoitamos as noites em que não acampamos. Nesses vilarejos é possível também tomar banho, em casas de banho público. Pois não existe saneamento básico em muitas partes do país. Banheiros do tipo ¨casinha¨ com fossa própria podem ser assustadores no começo… E logo você estará preferindo um matinho distante para cavar seu ¨istantoillet¨.