NAVEMUNDO

Ultimo dia na India !

Após 33 intensos dias, estamos em Delhi, nos preparando para voar para a Tailandia ! Tudo meio confuso . Estamos em plena Delhi 12 dias depois dos atentados em Mumbay, e indo para Bangkok uma semana depois que os manifestantes desbloquearam os aeroportos ! Tá fácil ! Mas vir para a Asia é assim mesmo . Um continente tão fantástico quanto instável, do ponto de vista Político, Social, Natural e qualquer outro que formos procurar .

Esses 33 dias foram os mais intensos de toda a viagem . Viajar pela India é tão inspirador quanto atormentado, tão mágico quanto desconfortável . Não tem como passarmos ilesos a tanta diferença cultural, a tanta história, tanta sujeira, tantos aromas e sabores diferentes, tanta espiritualidade .

Começamos em Varanasi, onde pudemos observar de perto os rituais de morte dos indianos, na cidade do sagrado Ganges . Como o corpo para eles nao passa de matéria que deve ser queimada para retornar aos 5 básicos elementos da natureza . E sendo apenas matéria, porque não queirmar ao ar livre, na beira do Ganges, na frente de todos os que ali passarem ? Qual a crise moral, uma vez que a alma, a consciencia ja foi embora para ( se tiver uma boa Moksha ), reencarnar livremente em uma nova vida ? Cidade intensa e chocante ! Passamos 8 dias por lá e balançou nossa alma !

De lá fizemos um trajeto por terra, em direção ao Rajastão . Passamos por Khajurao, onde construiram no meio do nada uma série de templos hindus, com uma arquitetura inspirada no Kama Sutra . São altos e pontudos, no tradicional estilo hindú, e suas paredes são cobertas por esculturas finamente esculpidas, que fazem aprender posições novas, mesmo o mais experiente dos amantes sexuais . Cavalos, grupais, deuses e deusas, todos estão lá celebrando a vida e o prazer . Não se sabe ao certo o motivo das esculturas tão “alegres” . A explicação que mais gostei foi a que relaciona os templos ao Tantra, a antiga prática hindú que usa o prazer do corpo como uma das formas de se atingir o controle total da mente, e como meditação .

Saímos de lá, passamos por Orcha onde vimos fortes e templos antigos e fomos para Agra, cidade do Taj Mahal . Confesso que não estava nas minhas prioridades conhecer o principal ponto turístico da India . E isso pelo fato que locais extremante turísticos e acompanhados por outro milhão de pessoas, para mim, perdem o encanto que genuinamente tem . Mas tudo isso foi menor do que a beleza  a grandiosidade e a preciosidade do Taj .

Se essa rua,se essa rua fosse minha….

¨Do amor do príncepe ShaJahan pela princesa Mumataz Mahal….¨Sim, parada obrigatória pela primeira vez na Índia, o taj é magnífico. Lógico que toda expectativa é frustrante por si mesma. E a minha era de que o palácio feito com o mais branco de todos os mármores exisytentes naquela época fosse ainda mais reluzente…. Mas tem toda aquela historia DE CHUVA ACIDA ETC E TAL. Mas a riqueza dos detalhes… parece que 22 anos e vinte mil pessoas da India e da Asia contruiram a maior jóia que eu já tive notícia, e agora graças a Deus, presenciei. Porque o Taj é isso:Uma jóia. Talvez os metais não sejam preciosos, mas o trabalho de cravação e machetaria aplicado no mármore, jaspe, serpentinto, lápis lázuli, ágata e tantas outras, eu só aprendi em joalheria. ShaJahan perdeu sua segunda e amada esposa ( eu não queria estar na pele da primeira, nem a pau!) dando cria ao seu 14o filho. Como os guias indianos ensinam: PPL(permanent pregnat ladie). Resolveu guardar sua esposa dentro de uma jóia, e assim o fez. Tambe’m fez outras tantas coisas lá pelos meados de 1600. por exemplo: matar todos seus parentes do sexo masculino foi outra. Menos seu filho,(pois claro, vc deve pensar: Era seu filho!…) Pois foi exatamente esse que o subjugou e o trancafiou pelo resto de sua vida. Mas como era seu pai(!), da janelinha da prisão, à ele seria concedida a visão,até o último de seus dias, da sua obra-prima: O Taj.

Surreal é aqui!

Delhi 08 de novembro de 2008.

Hoje chegamos à Delhi, depois de uma semana e meia de relax em Goa.Depois de Varanasi saímos em direção aos templos eróticos em Kajuraho e ao ponto obrigatório e esplendoroso do Taj em Agra.Conhecemos pessoas incríveis, Drew , Linda e Dawn do Reino Unido, a querida Martha de Barcelona, Kath e Stephen da Alemanha e Daniele e Marcelo, casalzinho conterrâneo nota dez!
Reencontramos a Drica e o Duda, casal que vive uma vida onde se encontram pouquíssimos brasileiros. Viajam o mundo e habitam onde esta bom, seja o clima, o festival, ou simplesmente estão em trânsito. Como me disseram, têm pertences espalhados por todos os lugares. São dessas pessoas iluminadas que tem muito mais curiosidade e entusiasmo do que receio e apego. Os admiro e quero muito bem…
A India é um país pobre financeiramente, e a miséria convive lado a lado com ¨o mel que brota nas árvores¨. A riqueza cultural e espiritual parece trancender os perrengues mundanos… As pessoas são fascinantes, e fascinadas por todos estrangeiros. Incontáveis são as vezes que vão perguntar teu nome, tua profissão, estado cívil e por aí a fora. E o mais engraçado é que estranham quando replicamo-lhes as mesmas e inconvenientes questões. Eles tem uma resposta ensaiada para cada país. No nosso caso, quando respondemos – Brasil. Eles ensaiam a batida de ¨Meu Brasil brasileiro¨ ou desatam a chamar os nomes famosos e atuais do futebol.
Quando, meio sem paciência de responder e viver o ritual todo novamente dizia que era da China. Uns nào acreditavam, outros me vinham com alguma frase pronta em chinês que sinceramente não consegui distinguir. Mas a maioria entendia o recado e sorria adeus. Eles tem uns trejeitos com a cabeça que torna um enigma saberem exatamente o que querem dizer. Várias vezes chacoalhei a cabeça como eles em resposta , eu não sei extamente o que eles entendiam, mas também chacoalhavam de volta e tudo certo. Os olhos tem função fundamental na comunicação entre eles.
Mulheres, se não querem ser mal interpretadas usem seus óculos escuros. Eles podem ser bem folgados e intrusivos em caso de se notarem observados. As roupas também são fundamentais para uma mulher ter paz na Índia, ombros à mostra são mais provocativos do que as barrigas (de todos os tamanhos) que pulam para fora dos sarees. Cobrir os cabelos e ter um ponto vermelho no meio da testa também ajudam. Cremos que a India é o país mais diferente por onde passamos até agora. Com caracterrísticas únicas e intrasferíveis. Parece que certas coisas só acontecem aqui, porque aqui é a INDIA….

Varanasi o limbo na terra.

A percepção de Varanasi dá se em meio a uma fumaça constante que parece permear a tudo aqui. Fumaça das cremações infinitas na borda do ganges, fumaça dos automóveis, dos cigarros, dos chilons, das barracas de comida, uma bruma que te envolve e entra nas suas narinas, envolve todo teu corpo e teus cabelos.Pousa sobre teus olhos que então pode perceber as linhas suaves que formam o desintegrar de prédios e templos em meio a multidão de pessoas e animais que circulam num caos antigo. E quando estiver totalmente intoxicado pela fumaça e barulho e ainda assim calmo, perceberá em meio a essa hipnoze que então alcançaste BENARES!

A Índia não é um país extamente turístico. Tem maravilhas e desgraças convivendo ali, lado a lado na vida diária. Hinduísmo, jainismo, budhismo e islâmicos convivem num caótico trânsito que desafia as leis dos homens e da física.E as buzinas obrigatórias não produzem o efeito desejado. Exauridas em si própria, intengram-se ao cenário atemporal e até místico.

Varanasi era um lugar que há muito já tinha chegado aos meus ouvidos, e informações de toda a sorte. Louco, sujo, colorido, espiritual,assutador e encantador. E Benares é tudo isso mesmo. Benares é o nome original de Varanasi, se é que posso usar esse termo, pois é também uma das cidades mais velhas do mundo que seguiu continuamente habitada. Fora haver história nesse lugar datada de mais de cinco mil anos. Todos adjetivos encontram par num lugar como este, menos tranquilo.

Shiva é o lord de Varanasi, e uma das principais entidades do trimurti hindu, juntamente com Brahma (o criador) e Vishnu (o sustentador). Shiva é o destruidor e seu nome em sânscrito significa ¨o sortudo¨. As pessoas que vêm à Benares em peregrinação tem como objetivo maior aqui morrer. A destruição de lord Shiva é de função regeneradora. Destruir o velho para que Brahma possa atuar. Curiosamente análogo a carta da morte do tarô, que tem o mesmo significado e trata-se da última carta, cujo fim se faz necessario para um novo recomeço. Os que aqui desencarnam, segundo a tradição deste lugar, alcançam sua moksha, que é a libertação do ciclo de morte e renascimento nesse plano (conhecido como samsara). São cremados os corpos para purificá-los, e então suas cinzas são varridas para o Ganges. Mulheres grávidas, crianças, sadhus e animais não são cremados pois são considerados puros. Criminosos e vitimas de doenças infecto-contagiosas serão purificados pelas águas sagradas do Ganga. E todos, sem exceção, cremados ou amarrados a pedras são levados pelo rio que sai do topo da cabeça de Shiva.

E toda a manhã os ghats que são as escadarias de acesso ao rio, estão lotadas de hindus que vêm para se banhar, escovar os dentes, lavar roupas, lavar búfalos, lavar seus pecados. Por fim decoram as margens do Ganges com roupas brancas e ocres, e sarees de todas as cores. Ficam ainda mais coloridos com o sol que, quando vence a cortina de fumaça e consegue despontar lá pelas sete da manhã assiste e ilumina todo o espetáculo diário e milenar do Ganga.