NAVEMUNDO

Você tem fome de quê?

Comer nessa viagem tem sido uma aventura a parte, nesse ponto especificamente a nossa terra natal é ouro puro! Saudosismos a parte, a comida no Brasil é de maneira geral barata,  até em termos de carnes nobres . Mesmo as porções dos nossos  “a la carte” franceses são mais fartas que na própria França ( e se não for, não coma! porções francesas no Brasil, à preço francês é no mínimo ridículo) 

 A comida brasileira é deliciosa….

No Japão vimos sushi de carne (vendida tão somente dessa forma) com preço de 90U$ o quilo, com 10U$ você escolhe se vai um pequeno papaya OU uma mexerica de sobremesa. Os nipônicos consomem pouquíssimo derivados de vaca (incluindo a própria), a carne mais comum deles é a de porco, depois a de peixe. E eu sempre pensei que fosse o contrário…

Em Hong Kong fiz algo inimaginável antes, dei graças ao bom Deus quando reconheci entre placas de fotos de comidas e cheiros indecifráveis a cara branca, vermelha e amarela do Ronald MacDonald….Eu o fiz, confesso! Imagino como é que um lacto vegetariano vegan da vida existe se tirarem o leite de soja do cidadão. Melhor regime não há.

Falando em regime, seria uma ótima oportunidade para eu perder aqueles 3 quilos (quase todas as mulheres que eu conheço querem perder 5 mas sempre dizem que 3 tava bom…) O pouco de comida que não é pele de frango picada, cartilagem de alguma coisa agridoce (enquanto eu não sabia, confesso que até gostava) ou vem boiando em algum caldo escuro ( que pode se tratar do próprio sangue), trata-se de comida extremamente oleosa. Se é de comer então frita! Tudo, absolutamente tudo aqui se come frito, e as vezes além de frito vem boiando! Hummm yumy!

Crú nem pensar…. Socorro,né?!

Mas já estamos nos virando melhor…Apesar de a culinária chinesa ser quase tão unanime quanto branco dos olhos por essa região, ( e não pense que estou falando do bife em tiras do diskchina…) Sério! Tirando o Japão, toda a Asia entende o nasi goreng ou mie goreng. Nasi=arroz;Mie=noodles;goreng=frito. Todos vem com um ovo em cima… De muito apimentado à ensopado, já comemos isso em vários cafés da manhã inclusive.

Em Bali tivémos a chance de fazer um curso de culinária, e descobrimos a infinidade de pimentas, de gengibres e especiarias com que eles colorem a comida.Gus Loka, nosso professor perguntou se alguém da classe tinha problemas com apimentado, eu disse que sim, afinal caso vcs não saibam isso machuca o estômago… Aí, ele gentilmente dispensou umas três pimentas das seis (do tipo chilli) pensei: Que amoooor! Matei uma porção inteira de arroz só para aliviar (santo arroz!)

Já experimentamos sushi de água viva,molho de amendoim, curry com coco, curry com qualquer coisa, na verdade. Feijão preto torrado ( como amendoim, mas muito gostoso), chá de cevada, três ou quatro tipos de chá verde (for a o branco e o preto que derivam da mesma planta) polvo desidratado, molhos de tudo que se possa pensar, dragon fruit até pão de queijo coberto com açúcar crystal e leite de soja com vagem, entre outros.

Mas a verdade é que estamos acostumando. Lógico que vez ou outra pagamos um mico básico, mas já sabemos quais armadilhas evitar (pelo menos até agora). A primeira coisa que aprendo na língua é sem pimenta, e a segunda é obrigado. O resto vira blog!


De Denpasar a Kuta

Chegamos a Bali antes de ontem. Depois de uma maratona nunca antes imaginada: Auckland, Sydney, Bangkok, Denpasar em 5 dias. Lógico que o primeiro contraste foi o calor, o choque do inverno da Nova Zelândia para o inverno da Indonésia tem diferença de atmosfera e pressão latentes.

O caminho do aeroporto até Kuta, já dava uma dica de como essa ilha se transformou de hit da década de 70 para um conglomerado turístico de altíssimo pontencial (explorado, diga-se), que recebe muito bem todos os budgets. De mochileiros à milionários Bali tem muito, mas muito mesmo de todos eles, especialmente em Kuta. Também coincidiu nossa chegada aqui com as férias de verão do hemisfério norte, e por isso tivemos uma visão surreal, no fim do nosso primeiro dia, na praia, numa areia abarrotada de gente em kuta.

Aterrizando em Bali tratamos logo de pegar um hotel do aeroporto mesmo, e quando lá chegamos qual não foi nossa surpresa ao descobrir que aquela bela pracinha na frente é na verdade um memorial às vítimas dos atentados terroristas sendo o último em 2005. Deixamos a primeira noite paga mesmo, e mudamos dali naquele instante. Por uma Bali menos mórbida…

Com mais de 3 milhões de habitantes distribuídos por pequenos cinco mil e poucos quilometros quadrados, a maioria hindu revela-se em cada porta, com oferendas e incensos, que são ofertados várias vezes ao dia, em todos os lugares imagináveis.

Os que mais me chamavam a atenção são as oferendas dos veículos, carro, bicicletas e motocicletas, essas últimas por sinal dominam a Indonésia de uma maneira geral.

Existem dois tipos de oferendas, com mais ou menos o mesmo aspecto, porém as postadas no chão são feitas aos demônios, com o intuito de acalama-los e as ofertadas em altares ou plataformas são destinadas aos deuses. E todos parecem conviver na mais perfeita harmonia. Tive a chance de conhecer um rapaz que vende os pacotinhos que compõe a tal oferenda. Se bem entendi, um que é uma trouxinha de palha, é composto por arroz frito embebido de calda de açúcar queimado.

Outra é um disquinho de açúcar prensado, e tem também uma cestinha de massa doce frita, parece a nossa massa de pastel, só que doce. E essa útlima ele me presenteou para que eu experimenta-se. Sua esposa prepara tudo em casa e ele sai para vender. Ao que tudo indica vende tudo, pois tais oferendas são feitas mais que uma vez ao dia. Se os deuses gostam, eu não sei. Mas eu gostei!

Todos te recebem com um sorriso. indonesianos são muito amáveis e gostam de conversar. O turismo é a fonte maior de riqueza hoje e faz de Bali a ilha mais rica do arquipélago.

No nosso segundo dia em Kuta, uni-mos à multidão nas areias da praia, ouvindo o som eletrônico de um dos inúmeros lounges ao longo da praia. Foi quando apareceu Mamelukoh, uma balinesa de meia idade com um sorriso enorme no rosto perguntando em que nos poderia ser útil. Agradecemos e em vez de “No Thank’s”(haja visto que a oferta também for a diferente) lhe respondemos que um sorriso seria suficiente. Foi a conta! Não só um sorriso, como já sentou do nosso lado e engatou numa conversa leve e muito gostosa. Tirou foto comigo e nos ensinou algumas palavras em balinês. Seu marido veio oferecer tattoo de henna, mas não se interessou pelo nosso animado papo. Ele foi e ela ficou, foi muito interessante, enquanto eu fui no mar, inaugurar pézinhos no mar da Indonésia, ela elogiou as sombrancelhas do Marco umas três vezes. E antes de ir embora depois de desejar muitos anos de vida e felicidade para nós me solta um :

-And Marco is very hot…. Passando as mãos sobre as próprias sombrancelhas e apontando para ele. Eu pega de surpresa:

-Excuse-me? O Marco repetiu e ela também, os dois olhando para a minha cara. O melhor que respondi foi

-Thank you! E ela partiu.

Não sei o que me atrapalhou mais, a situação inusitada em que me vi ou uma nuvem gigante de mosquitos (que segundo a Mahmelukoh não picam) que cobriu não só a nossa cabeça mas a praia inteira. Foi engraçado.

Lua Minguante na Nova Zelândia

A Nova Zelândia é verde! Chegando aqui, o primeiro fato o qual tivemos conhecimento foi o de que essa natureza toda fora cenário para os takes externos de “O Senhor dos anéis”.Não à toa, a natureza dessa ilha pequenina é de uma exuberância mística mesmo.

A Silver Fern (samambaia de prata)uma espécie comum no país. As folhas, na parte de baixo, possuem uma coloração branca fluorescente. Os maoris costumavam utilizá-las quando entravam na mata: eles dobravam as folhas para que o lado branco ficasse para cima, a lua batia na parte branca, que a refletia e iluminava o local por onde passavam. Os neozelandeses têm um apelido famoso e por todo o mundo são comumente chamados de kiwis. Muitos se surpreendem quando descobrem de onde esse nome realmente vem: apesar de ser mais conhecido por causa da fruta, o nome, na verdade, vem de um pássaro. As belíssimas terras verdes da Nova Zelândia é lar de espécies únicas de aves, e, entre as mais conhecidas, está o kiwi. Foram os maoris quem deram o nome ao pássaro, por causa do barulho que faz – algo como kiwi, kiwi, kiwi – e foram, também, quem primeiro o transformaram em símbolo, por lhes remeter a algo mágico, que representa sorte, amor e felicidade. É uma ave noturna, que não voa, e com uma plumagem que mais parece cabelo do que penas. Parece um patinho com bico de beija-flor.

A explicação mais aceita para se referir aos habitantes como kiwis remonta provavelmente à época da Primeira Grande Guerra, quando os soldados do país adquiriam esse apelido – pois na tampa da cera para engraxar as botas havia uma figura do kiwi. No mercado financeiro internacional, o dólar neozelandês é freqüentemente chamado de kiwi – um dos lados das moedas, aliás, têm a figura da ave gravada.

Vejam vocês que é a pressa. Tudo o que tínhamos planejado para New Zealand era acerca de Queenstown, na ilha sul. Quando compramos a passagem, a moça ainda perguntou: -Auckland or Christhchurch? Como “os bacana”aqui não tinham estudado nada, naquela imensa colônia de férias chamada Austrália… nos fiamos no nosso conhecimento geográfico, e uníssonos: -Auckland! (Nunca tinha ouvido falar de Christhchurch, parecia nome de mosteiro…) Para resumir a missa, é como você comprar uma passagem para Porto Alegre quando na verdade quer conhecer o Ceará. A diferença é que tem um ferry no meio e ,no nosso caso, um trailler reservado (e irreversível) já da Austrália. Em dez dias, se realmente fizéssemos o trajeto Auckland-Quenstown, iríamos gastar o dobro do nosso budget e dirigir 90% do tempo. Cosnternados, resolvemos curtir a ilha norte. Que é um turismo mais voltado para o verão, e aqui, como no Brasil, acabou de começar o inverno.

Tudo isso para justificar nossos dez dias de contemplação da natureza, introspecção, balanço e uma certa preparação do que esta por vir: a Ásia.

Vulcões, esse pequeno par de ilhas do pacífico é apinhado deles. O que dá um visual ainda mais distinto. Rotorua e Taupo,essas foram as cidades que escolhemos para conhecer, e são boas expressões desse lado de cá da Nova Zelândia. Equipados com um motorhome (gigante perto dos que experimentamos até agora, tem até toillet!Com chuveiro!;)

Foi em Rotorua que experimentamos as piscinas termais daqui, de até 42 graus celsius (fizemos cozido de brazucas).

Foi lá também que conhecemos o trabalho de um cara chamado Elton Buchanan num estúdio de tatuagem. Ele é de origem inglesa provavelmente, mas um profundo estudioso da simbologia Maori, foi ele quem nos explicou mais sobre o significado dos traços e padronagens. Como por exemplo o fato de que os traços originam da arte em esculpir madeira. Quando se faz um desenho maori, este deve ser ¨traçável¨ num formão.

Foi um susto quando, logo no primeiro dia, dentro do mercado nos deparamos com um senhor aparentemente normal não fosse o rosto completamente tatuado, fazendo suas compras do mês. Já as mulheres,são marcadas no queixo,abaixo do lábio,muitas vezes incluindo os lábios, depende da tribo no caso delas, ostentam sua aliança de casamento no rosto. Ta Moko é o nome das tattoos do rosto. Já no caso dos homens não são somente os votos do casamento (cobrem o rosto todo, muitas vezes boa parte do corpo também) contam sua história. Como uma aliança com suas escolhas, sua fé e também um ornamento de proteção. A arte de decoração dos corpos pelos maoris é conhecida como Ta Maoki.

É fascinante, uma linguagem fantástica mesmo. Cada traço tem um significado. E eles podem ler as maokis uns dos outros. Linhas e padrões podem indicar quantos membros a família tem, qual a posiçao dentro da tribo (se trata-se de um chefe ou guerreiro), se é casado, quantos filhos tem, os medos que quer vencer e as qualidades que lhe é atribuído.

A cultura maori aqui é completamente integrada à sociedade como um todo. Nomes de ruas, parques e cidades são em grande parte em maori.

De expressão forte, eles tem um biotipo completamente diferente do aborígene, são mais arredondados se é que posso assim dizer. E teêm claras as raízes da polinésia; corpo grande, rosto ovalado e olhos gateados. Cabelos sempre compridos, na maioria das vezes encaracolados.

Ricos nas simbologias. Por exemplo, antes de uma batalha, eles executam uma coreografia como uma dança mesmo, todos juntos e quando terminam fazem uma careta, que trata-se dos bem olhos arregalados e a língua esticada para fora, como que uma carranca, o que significa que estão prontos para a luta. Quando se encosta a testa e o nariz, um contra o outro, segundo eles divide-se o mesmo sopro da vida, deixando de ser um estranho e passando a fazer parte da tribo.

Guerreiros, viviam em disputas intermináveis entre as diferentes tribos deles antes dos ingleses aqui chegarem. Comeram todos que tentaram aqui pisar antes do capitão Cook. Não cheguei a estudar o porquê, mas com o Cook e sua esquadra foi diferente.

Nesse periodo de introspecção imaginei a seguinte história: Capitão Cook que já estava feliz da vida de ter descoberto a Austrália, já estava acostumado com sua turminha aborígene, sabia que tinha mais umas terras por aqui. Muito entusiasmado, montou sua esquadra e veio. No meio da viagem notou o frio gélido que vem do sul(aqui é bem mais perto da Antartida). Ora, todos sabem como piratas espantam o frio: se afogam no rum.

Aqui aportou, e quando os maoris começaram a dança ele achou que era festa e abraçando o chefe começou a dançar também. Os Maoris por sua vez, ficaram meio na duvida se reagiam ou não,pois afinal o Capitão cook e o Chefe estavam dividindo o sopro da vida. Ou seja, quem conquistou a Nova Zelândia, (segundo euzinha), foi o RUM meus caros…

Imaginem na hora da careta da língua para fora então….!

Mas lógico, que a história desse país, a terra das nuvem longa e branca… é outra. E saímos daqui com uma certeza: a de que precisamos voltar e conhecer a ilha sul.

 

Lua Cheia na Australia

Oláááá… Salve salve minha gente!

-Nooosssa como eles demoraram para escrever qualquer coisa…

VERDADE!A mais pura, mas lógico, há um por quê. E esse poderia ser denominado Australian Way of LIFE! Agora é o seguinte se tem qualquer coisa contra ataques de deslumbramento,pode parar de ler esse post aqui mesmo.Pois este é nada mais que uma ode a esse país.

Por partes.

Chegando em Sydney demos uma tempo na nossa Travel Search. Fomos tão bem recebidos pelos nossos amigos(Thiago e Caio) e consequentemente pelos amigos deles (Gui, Naty, Bilo, Narcisio, Didi e tantos mais) o bem da verdade é que a nossa vida ficou para lá de mansa. Aí fomos parar na casa da Lia(irmã da Anne,2 curitibanas fofésimas)que é casada com o Mr Raymond(sul-africano) e pais da Keila e do Zach(australianiños)… Então,apresentações feitas.Isso é só o começo. Conhecemos tanta gente aqui… E todos tão legais que vai ser difícil resumir num post. Mas o fato é que a vida mansa, churrasco, vinho e claro muita cerveja são os culpados. Ficamos muito bem ciceronados e foi um contra-choque sair do Japão e cair assim na civilização ocidental de novo. De passagem por BangKok podemos experimentar um petisco do que nos espera. Quase assustador eu diria.

Tomamos vergonha na cara e fomos buscar nossa pesquisa de volta em Bondai Beach! Deixamos nossos amigos no churrasco e seguimos de ônibus(o que foi mto mto mais demorado)de Maroubra para lá. Bondai é “o pico” de domingo, um posto nove se comparável. Praia linda, musculosos, rechonchudos todos tem seu espaço na democrática e descolada Bondai. Na areia ou nas churrasqueiras de pátio gramado todos passam seu domingo de sol iluminado. Fernando, um madrileño de vinte e oito anos que conhecemos a seguir, definiu as mulheres de Bondai como as mais bonitas da Autralia(que ele conhecera até então)

-Todas tenen las carnes duras!De las Chicas à las tias de 50 años.Sabes por que?Porque todas acem lo Surf e exercitam-se em Bondai…(perdão para meu espanhol compreendido e não aprendido). Isso define bem uma impressão da esfusiante Bondai,pelo menos no domingo.

Depois fizemos um “Tourist pack” improvisado,voltamos a city(centro de Sydney)para um rolê tipo “top 5”.E Assim foi: Darling Harbour, Tower, Ópera House(espetacular…) Habour Bridge, Aerotrem(o tal Levi Fidelix não é tão original assim) e terminamos nosso dia de caminhada com um half pint em The Rocks(lugar que talvez tivéssemos muita expectativa, pois nada era além de um muro antigo) E de uma maneira geral ficamos encatados com Sydney. Uma cidade moderna,cosmopolita e extremamente funcional. Em alguns pontos até arriscaria dizer que é uma Londres ensolarada;dado que por ter sido colônia britanica tem as ruas, praças e arquitetura, tanto predial quanto estrutural iguais à capital londrina.

U$4,50 do ferry e passamos um dia na capital brasileira em Sydney: Mainly Beach. Estava frio demais para entrarmos na água, mas lógico que tinha gente surfando num boa. Aliás,como era uma segunda feira presenciamos algo bem interessante. Tinha algumas classes de educação física acontecendo na praia. Um grupo aprendia a andar de patins, outro a jogar futvolley e soubemos que existem aulas que são de…SURF! Essa é uma pista do que denominamos lá em cima de Australian Life Way. Num dos campings que estivemos tinha um grupo de estudantes rotarianos aprendendo a acampar. É ou não é show de bola?

Resolvemos então seguir viagem. Uluru estava nos planos, desde o Brasil e deve ser realmente fantástico. Mas é muito longe de tudo mais(bem no centro deste país-ilha)e resolvemos deixar para uma próxima. Alugamos um campercar, econômico e funcional, uma Rookie.

O Australiano tem uma cultura de viajar e acampar como nunca antes presenciamos. Para ser bem sincera, nem nunca ouvimos falar em algo assim. O país é jovem, não tem 300 anos. E não sei bem quando eles começaram a construir estradas, muito menos quando comecaram a percorrê-las com a casa nas costas.

Mas o fato é que vemos sempre muitas vans(perfeitamente adaptadas para acampar,são as campervans) e traillers, de todos os tamanhos, formatos, cores e budgets. Mas para dar uma idéia, o menor que vimos até agora(fora o nosso Rookie)foi um trailler em formato de barraca canadense, compacto. E o maior foi um caminhão adaptado, o bicho era um transformer! Muito irado! Sai compartimentos embutidos das laterais e de trás,vira uma casa sobre rodas com a boléia na frente. Existem diretórios e listas de camper parks por estado, por tipo de viagem, com serviços anunciados ou não. Ranqueados como hotéis de luxo,com estrelas e tudo mais. Nesses parks os banheiros são limpos, sem exceção com chuveiro quente. Tem cozinhas onde no mínimo uma chapa de churrasco tem, outras mais incrementadas tem até micro-ondas. Piscina, frente para rio ou mar, playground, aluga bicicleta, kaiaque e lavanderia.Só a internet é que ficamos surpresos de não encontar tão fácil em todos eles.

Mas o fato é que eles se jogam na estrada. E passam meses nela, com ou sem filhos.E como no surf aqui, de toda faixa etária. Muita gente opta por morar nesses lugares, nesses campings(parkings) que também oferecem algo que eles chamam de cabines, que é o mais simples, aos bungalows, que são os mais equipados. Dentro deles tem tudo, menos roupa de cama que vc também pode alugar.

Caímos na estrada e dormimos nossa primeira noite em BlackSmtih, na região de Lake Maquire. No dia se guinte….Tia Juliana acordou travadésima de algo que só se conhece na vida dos trinta para frente: Nervo ciático, parece que mudaram o nome dele, mas dói igual. Ou até pior. Bom a Rookie é ótima, mas nós….Somos um pouco grandes de mais para ela. Nada que uma barraquinha do lado de fora não resolva, não é mesmo?

Soubemos de um evento especial(espacial?!)em Nimbin. O Mardi Grass de Nimbin acontece todo ano, no segundo fim de semana de maio. Tal Mardi Grass é o evento da Cannabis Sativa. Um dos mais respeitados do mundo, até pela polícia vejam vcs!

Fato é que a pequena Nimbin de 400 habitantes fica absolutamente abarrotada de DBGS(doidões, bichos grilo e simpatizantes, nos no caso éramos apenas simpatizantes…)do mundo todo. Hey de editar os vídeos e de tuba-los, nunca imaginei nessa vida presenciar a Hemp Olympix.Há hah ha ha aha…Não é possível dimensionar a palhaçada que foi aquilo, mas também muito mais politicamente correto do que se pode imaginar, também.

De Nimbim, fomos a Byron Bay encontrar Isis. Uma amiga da estrada, que nos recebeu muitíssimo bem. Byron é encantador no sentindo mais mágico desta palavra. Acampamos em Clarke’s Beache, onde a cozinha do camping tem uma vista tão privilegiada da praia, que certa manhã dividimos a cozinha com uma equipe de TV, que justamente registrava tal fato. Foi nesse camping que conhecemos os espanhóis e os suissos:Nacho, Fernando, Gianina e Claudio.E também um casalzinho alemão muito jóia, o Johnas e a Teresa.

Pouco soubemos deles entre churrascos e cervejas, a maior coincidência entre nós além da condição de backpakers era o fato de todos gostarmos de conversar, fosse em que língua fosse. Começavamos em inglês, mas depois de algumas cervejas misturamos um pouco de cada. Outra coincidência erem três corações partidos em pleno processo de cura. Nacho rompeu com a namorada e decidiu viajar, passar 6 meses fora. Porém com duas semanas de antecedência Fernando, também rompera com “su amada”, telefonou para Nacho e decidiu ir junto. Gianina estava de férias e seu namorado estava visitando a família na Itália, Claudio um amigo do casal também estava de coração partido, e assim se fez a história desses quatro viajantes. Johnas e Teresa são um casal assim como nós, talvez uma década mais novos….

Isis está trabalhando em um escritório de turismo.600 mil turistas passam por Byron Bay cada ano e são sua maioria backpackers. Lugar chique de famosos descolados Byron abriga casas de milhões de dólares no sentido mais plural no tocante ao valor, e mais singular no sentido da quantidade de casas. A natureza é preservada, todos surfam, e todos tem seu lugar ao sol. Na primeira manhã que fomos caminhar na praia fomos surpreendidos por golfinhos brincando nas ondas daquele mar água-marinha.

Como Isis esta no ramo, além de ser uma viajante com um histórico incrível, nos deu dicas ótimas para seguirmos nossa viagem rumo ao norte.De Byron seguimos para Noosa, uma bahia fantástica onde todas as casas parecem ter o quintal para a água. Muito bonito. Passamos por surfers paradise, mas não recomendamos, tampouco Golden Coast. Não tem identidade muito definida esses lugares. Passa a impessão que foram atacados por uma orda de turistas consumistas enlouquecidos e melados de óleo bronzeador fator -190… Estranho.

Town of 1770 ganhou esse nome porque no dia que o Capitão CooK(descobridor oficial da Austrália) passou por lá devia estar sem muita paciência ou criatividade, e assim batizou a ponta de uma península que começa em Agnes Watter. Foi uma das dicas mais preciosas; foi de lá que pegamos o barco para conhecer Lady Musgrave. Uma ilha no começo da grande barreira de coral, o ponto mais próximo da costa( e foram 90 minutos de barco rápido, só de ida). Vocês sabiam que uma ilha pode ter um lagoa maior que sua dimensão de terra?? Bom, eu não. E é em tal lagoa de corais que fizemos o snorkel mais colorido e diversificado de nossas vidas. Corais negros com pontas azuis; vermelhos, amarelos, cérebros, peixes de todos os tamanhos, formatos e cores. Tinha tartarugas e pepinos do mar. Nos disseram que não era raro aparecer arraias gigantes por lá. Para quem aguentou a água fria o mergulho durou até mais tempo. O que infelizmente não foi meu caso, o pacífico é bem mais frio que o atlântico(pelo menos nos pontos que conheço…)

Na volta passamos em StradBroke Island, um paraíso a 1:30 de carro de Brisbane. Uma ilha linda, limpa, pouco povoada e que não precisa de muito para despertar suspiros e ataques de preguiça.Estamos agora equipados com óculos de natação(lembracinha de Noosa) e não me lembro quando foi a última vez em que brinquei tanto no mar como essa tarde em Point Lookout, a praia onde estacionamos a nossa van. Se alguém ouvisse, sem prestar muita atenção, teria certeza de que se tratava de duas crianças. Certamente estranhariam o tamanho da barba desse menino, eheheheheheh.

Ainda no caminho de volta passamos em Byron para despedir-mos da Isis, querida. Fomos convidados para ficar na casa dela. Lá conhecemos Maria, a mãe ; Pascal o irmão e Vick. Uma kiwi (new zelandesa) fofésima e muito louca também. As duas nos receberam, tomaram um shot de vodka com suco e as cinco horas, de uma tarde que ventava um vento frio de temporal, as duas pularam da ponte, num rio em que juraram tinha agua até morna … Eu filmei tudo, bem sequinha.

- Hoje tem uma festa, querem ir ? ”It’s in the bushies ! ” -Tentador, não ?

Fomos todos na van e o Marco estava tenso por que tinha assinado um contrato que impedia dirigir em estrada não-asfaltada . E o caminho era assim : uma baita pirambeira estreita, a noite, de terra depois de ter tomado uma boa chuva…Mas fomos bem e conseguimos subir quase até o topo, faltando apenas 1 km pra chegar na festa . Esse último trecho era muito inclinado e a van não tinha aderencia suficiente para encarar ! Deixamos estacionada numa recuo da estrada e seguimos viagem para cima .

Quando vimos o que tínhamos que subir, só não desanimamos porque logo apareceu uma carona de um cavalo, digo de uma caminhonete branca. O temporal seguiu para o mar e nós para o alto da montanha. Na festa não tinham 50 pessoas, a música feita pelos próprios convivas. Melhor impossível, uma fogueira para espantar o frio e a vista da península com o farol. Cada um levou sua bebida, dançamos, conhecemos gente, enfim balada da boa.

Seguindo na estrada escolhemos um lugar onde apreciar a lua cheia. O eleito foi Port Maquire….A foto fala mais do que posso expressar…

Seguimos para Blue Montains, já perto de Sydney, e lá passamos duas noites. Blue Montains é lindo e completamente diferente da primeira parte da viagem. O visual é um misto dos cânions de Aparados da Serra, no sul com os platôs da Chapada dos Guimarães. Bem bonito, tanto quanto frio. Fizemos uma trilha, aliás as trilhas que eles fizeram nesse lugar, as atrações que eles criaram sem agredir o visual original é de tirar o chapéu. O tal turismo sustentável: Existe e funciona.

De volta à Sydney, matamos saudades de nossos conterrâneos. Que só para variar um pouco nos receberam hyper, mega, ultra bem…E uma caixa de cerveja depois(dessa vez com risotto)fomos dormir com um certo pesar no coração de deixar a Austrália. Para conhecer esse país, de um modo mais profundo, são necessarios seis meses, assim diz o guia. É um ótimo motivo para voltarmos aqui algum dia. Porém acordamos com uma enorme curiosidade em relação ao nosso próximo destino:Nova Zelândia. Toca pro aeroporto!

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