Mongol, um povo selvagem
Esses últimos 50 dias estive na Mongolia . nunca passei tanto tempo em outro país, como passei nesse inabitado e selvagem país . E o povo, ? Selvagem, com cara de indomado . Nas ruas da capital um incessante buzinar . Ninguém espera, meio segundo uma manobra ou desatenção e vc esta em baixo do carro. Se vc está atravessando a rua, eles simplesmente aceleram, para te sinalizar que vão passar . Fila? O que é isso? Não respeitam fila nem ordem de chegada . É na base do grito e de quem chegar primeiro . Ah, se vc é turista, não se esqueça: não é Mongol . Também não gostam de se misturar . Não vi nem soube de casamento entre Mongol e estrangeiro . Não que elas sejam feias, hein…. muito pelo contrário. Mas existe um sentimento nacional de valorização da própria cultura . E o mais interesante é que tudo isso vem junto com uma enorme hospitalidade . Verdade seja dita: todos os primeiros contatos com alguma família nomade, eram seguidos de convites para entrar e beber do habitual chá com leite (salgado), acompanhado de pão frito e uma espécie de queijo, seco e extremamente azedo. Adoram ser fotografados, são vaidosos e gostam de se ver na tela da sua camera digital ( paraíso para os fotografos de plantão ) Na verdade, a certa altura vc precisa parar de bater as fotos, por que do contrário ( principalmente com as crianças ), pode se extender por todo o período de luz suficiente…
Os 3 esportes nacionais, ainda remontam ao período de Genghis Khan ( que aliás se escreve Ghinggis Khan ). Arco e flexa, luta-liivre e corrida a cavalo. Nessas corridas, quem corre são as crianças, porque são mais leves e ágeis. Sem sela e sem estribo, lógico. 7 anos de idade, que foi o determinado pela agência dos direitos humanos, já é considerado velho para os mongóis. E os cavalos ? Comum ao final dessas corridas, alguns morrerem de estafa após 200KM !!!!E são retirados com tratores .
Bem selvagem. Na chegada do cavalo ganhador, durante o Naadam ( que é o feriado onde todos esses esportes são disputados ), estavamos lá para conferir. Quando ao longe, a multidão começou a avistar a poeira dos cavalos chegando, começou uma agitação coletiva que foi aumentando, até explodir em gritos estridentes. Um frenesí coletivo, provocado pela emoção de ver o ganhador da corrida, mas com certeza pelo significado que os cavalos ainda tem na vida desse povo historicamente nomade . Nessa hora, aquele povo me pareceu ainda mais selvagem, com a chegada dos cavalos montados por crianças, e o som agudo e tribal de todos gritando e comemorando a chegada do cavalo vencedor .
A luta, ainda é travada nos trajes do sec 13 . Uma mulher naquele ano disputou disfarçada, e venceu, uma série de lutadores . E o Rei muito P da vida, mandou cortar a frente do traje oficial de luta para que lutassem de peito a mostra , e nunca mais fossem enganados !!! Luta é coisa de Homem !!! E o resultado foi um traje no mínimo muito engraçado . Eles ( uns caras bem fortes ) usam uma espécie de sunga rosa ou azul, bem pequena, botas compridas e um casaco curto, de manga comprida, mas com o prito aberto, fechado apenas nas costas… A disputa é uma espécie de luta greco-romana, que perde aquele que tocar o chão com as costas ou com os joelhos. Não existe categoria por pesos, mais forte e pesados consequentemente ganham.
A competição de arco e flexa, é realizada em trajes tradicionais . Os arcos são compridos e as flexas possuem pontas circulares . As mulheres também participam, e pelo que entendi, competem na mesma categoria que os homens . Todos ficam posicionados na mesma linha, e a uns 100 m de distancia, o alvo, feito com latas empilhadas na horizontal , vence aquele que acertar mais vezes, as latas mais ao centro do alvo .










