NAVEMUNDO

BOOmbay!

    Vcs jah devem estar acompanhando… Tah tudo baguncado em Mumbay…

    Fugimos para Goa!E aqui tah bom como o litoral do nordeste brasileiro.So serviu para aumentar a saudade.

    Marcao curou de um febrao e eu peguei um piriri b’asico, agora sim podemos dizer que passamos pela india!

Varanasi o limbo na terra.

A percepção de Varanasi dá se em meio a uma fumaça constante que parece permear a tudo aqui. Fumaça das cremações infinitas na borda do ganges, fumaça dos automóveis, dos cigarros, dos chilons, das barracas de comida, uma bruma que te envolve e entra nas suas narinas, envolve todo teu corpo e teus cabelos.Pousa sobre teus olhos que então pode perceber as linhas suaves que formam o desintegrar de prédios e templos em meio a multidão de pessoas e animais que circulam num caos antigo. E quando estiver totalmente intoxicado pela fumaça e barulho e ainda assim calmo, perceberá em meio a essa hipnoze que então alcançaste BENARES!

A Índia não é um país extamente turístico. Tem maravilhas e desgraças convivendo ali, lado a lado na vida diária. Hinduísmo, jainismo, budhismo e islâmicos convivem num caótico trânsito que desafia as leis dos homens e da física.E as buzinas obrigatórias não produzem o efeito desejado. Exauridas em si própria, intengram-se ao cenário atemporal e até místico.

Varanasi era um lugar que há muito já tinha chegado aos meus ouvidos, e informações de toda a sorte. Louco, sujo, colorido, espiritual,assutador e encantador. E Benares é tudo isso mesmo. Benares é o nome original de Varanasi, se é que posso usar esse termo, pois é também uma das cidades mais velhas do mundo que seguiu continuamente habitada. Fora haver história nesse lugar datada de mais de cinco mil anos. Todos adjetivos encontram par num lugar como este, menos tranquilo.

Shiva é o lord de Varanasi, e uma das principais entidades do trimurti hindu, juntamente com Brahma (o criador) e Vishnu (o sustentador). Shiva é o destruidor e seu nome em sânscrito significa ¨o sortudo¨. As pessoas que vêm à Benares em peregrinação tem como objetivo maior aqui morrer. A destruição de lord Shiva é de função regeneradora. Destruir o velho para que Brahma possa atuar. Curiosamente análogo a carta da morte do tarô, que tem o mesmo significado e trata-se da última carta, cujo fim se faz necessario para um novo recomeço. Os que aqui desencarnam, segundo a tradição deste lugar, alcançam sua moksha, que é a libertação do ciclo de morte e renascimento nesse plano (conhecido como samsara). São cremados os corpos para purificá-los, e então suas cinzas são varridas para o Ganges. Mulheres grávidas, crianças, sadhus e animais não são cremados pois são considerados puros. Criminosos e vitimas de doenças infecto-contagiosas serão purificados pelas águas sagradas do Ganga. E todos, sem exceção, cremados ou amarrados a pedras são levados pelo rio que sai do topo da cabeça de Shiva.

E toda a manhã os ghats que são as escadarias de acesso ao rio, estão lotadas de hindus que vêm para se banhar, escovar os dentes, lavar roupas, lavar búfalos, lavar seus pecados. Por fim decoram as margens do Ganges com roupas brancas e ocres, e sarees de todas as cores. Ficam ainda mais coloridos com o sol que, quando vence a cortina de fumaça e consegue despontar lá pelas sete da manhã assiste e ilumina todo o espetáculo diário e milenar do Ganga.

A Trilha dos Annapurnas

Passei 16 dias andando para percorrer 211 Km ao redor de uma das cadeias de montanhas mais famosas do Mundo . Famosa por que o Annapurna I, com seus 8098 m. de altura, foi o primeiro pico acima dos 8 mil metros a ser escalado em toda a história do alpinismo, por um Frances chamado Maurice Herzog, no ano de 1950 .

A trilha se chama Cirquito Annapurna . Se trata de um caminho ancestral usado pelos locais para se locomover de um vilarejo a outro, nessa região . Isso inclui passar pelo Thorung La, que é um passo de montanha que se ergue a 5416 m. de altitude !!! O que é muito, quando se pensa que acima de 3000 m., todos estão sujeitos a sentir o Mal de Altitude, causado pela falta de oxigênio para respirar .É 600m mais alto do que o MOnt Blanc na França e exige uma série de precauções e muita roupa de frio .

Deixei a Juliana no retiro de Yoga, e juntamente com o Sitaram, o bravo carregador que contratei em Kathmandu, deixamos Pokhara em um onibus local no dia 17 de outubro , e começamos a trilha a exatamente 800 m. de altitude, em Besi Sahar .

Basicamente, a trilha se divide em antes e depois de cruzar o Thorung La. Na primeira parte seguimos o vale do Rio Marsyangdi, subindo 4600 metros em dez dias . Depois do passo, descemos de novo até 800 metros, só que agora seguindo um dos vales mais profundos do mundo, carvado pelas águas negras do rio Kali Gandaki, até chegar a Naya Pull, de onde pegamos o transporte de volta para Pokhara . Essa trilha se faz geralmente em 16 a 20 dias . Nós fizemos em 16 ensolarados dias !!!

No começo, andamos em um clima quente e úmido,  onde todas as montanhas são cobertas por florestas com arvores típicas de um clima tropical . A medida que fomos subindo, a vegetação foi mudando drasticamente . A 4 dias do Thorung La, já não se via mais as florestas, o clima mudou para seco e predominavam os pinheiros . Estavamos andando pelas estações ! Deixamos o verão do início da trilha e agora nos encontrávamos em pleno outono. Tudo estava indo bem, e me sentia forte e disposta para encarar o desafio maior da trilha .

Chegamos no acampamento base chamado Thorung Phedi no nono dia de caminhada, as 9 da manha . Nesse lugar, que se ergue a 4450 metros, só existem 2 lodges, de modo que decidimos acordar bem cedo e garantir nosso quarto . Passamos o dia inteiro descansando e se preparando para o dia seguinte .

E não era para menos . Se trata de subir 1000 metros de desnível, de 4400 para 5400 metros, e depois descer mais 1600 metros até Muktinah, que fica a 3800 m. Caminhar em altitude é extremamente cansativo . Falta oxigênio e existem os perigos do Mal de Altitude, que se forem ignorados podem ser fatais . Na verdade, todo o ano morrem 2 nessa mesma trilha , em sua maioria carregadores que sem experiencia e qualquer equipamento adequado, se sujeitam a esforços inimagináveis para aproveitar a temporada de turistas e fazer algumas Rúpias..

Tomamos café as 4 e meia da manhã e as 5 estavamos dando os primeiros passos montanha acima . A primeira hora foi incrivelmente inclinada , cansativa e fria . As 6 horas da manha, passamos por  um alemão com um GPS, que nos mostrou que fazia ( fora o vento ) – 15 graus centígrados !!! Havíamos enchidos nossas garrafas com água fervendo . A essa altura estavam todas congeladas !!!

O sol começou a nascer e o visual foi ficando espetacular, com o contorno das montanhas delineados pela fraca luz do sol que chegava, e a lua ainda brilhava, crescente e sorrindo para nós, como que dizendo que tudo estava bem e que chegaríamos com segurança .

Acertamos o passo , e com um passada pouco maior do que meus pés, andamos devagar e sem parar até o passo, que chegamos felizes as 8 e meia da manhã  ! Passamos 40 minutos lá, andando na neve, e tirando as famosas fotos comemorativas ! Os nepaleses que estavam trabalhando nos grupos de expedições, a essa altura cantavam e dançavam, também felizes por terem atingido o ponto mais difícil da viagem . Agora, eram 5 dias seguidos de descida . Nesse dia, chegamos em Muktinah as 13:00 .

Daí em diante foi só descida . O ultimo grande esforço estava marcado para o penúltimo dia de viagem, quando subimos de novo a 3000. De altura, até Poon Hill, para assistir a um dos nasceres do sol mais espetaculares da minha vida . Poon Hill é um mirante de onde pode-se ver duas cadeias de montanhas . A do Dhaulagiri ( que tem 8…m. ) e seus irmãos menores, II, III e iV e toda a cadeia dos Annapurnas, terminando com o Machapuchare, o famoso fish-tail, que na minha opnião é uma das mais bonitas que já vi . A surpresa estava reservada para o final . Na noite anterior , em Ghorepani, aguardávamos o dia terminar para nos prepararmos para o último ataque, as 5 da manha do dia seguinte . Mas, estava tão absolutamente nublado, que  todos já arrumávamos nossas desculpas para auto-consolo . Quando abri minha janela as 4 e meia da manhã e vi de cara a constelação de escorpião limpa na minha frente, acompanhada por uma noite linda e sem nuvens, percebi que Deus havia ouvidos as preces de todos que ali estavam, e soprou bem longe todas as nuvens que poderiam ficar entre nós e as montanhas.

A medida que o sol foi iluminando com sua fraca Luz amarela e rosada, somente as pontas das montanhas mais altas quando tudo ainda estava escuro, o espetáculo foi ficando completo, coroando majestosamente, o final de uma trilha que foi nada menos que perfeita e inspiradora !

No dia seguinte. Andamos todo o caminho de volta e as 3 e meia da tarde do décimo sexto dia de trilha estava em Pokhara para reencontrar a Jú , cheio de coisas boas e novas para contar !

Kaosmandu! A estação intergaláctica.

Na estrada paramos por conta do tráfego, o trânsito caótico e o intenso fluxo de pessoas tem seus momentos de estrangulamento máximo e simplesmente param. Descemos do ônibus e seguimos a pé pelo meio do caos até o fim dele, onde encontramos um restaurante com uma vista magnífica do rioe adivinhe:cerveja gelada. Foi o momento perfeito para celebrarmos o aniversário de um dos Franz, o caçula do grupo completava 53 anos de idade. PROST!!
Nos deixaram próximos à nossa Guest House. ACME guest house (como nos desenhos do looney tunes) Um pouco bêbados e muito cansados chegamos por entre as ruas da estação espacial intergalática de Thamel. Centro turístico de Kathmandu. Com seres de todos os planetas misturando-se entre 538 mil placas de todos os tamanhos. E no meio de uma dessas placas encotraríamos a da ACME. Pois o endereço que constava no guia era o seguinte:Próximo à Kathmandu Guest House-Thamel. Só não desesperei por que um dos seres interplanetários tinha um mapa na mão, à quem eu fui pedir ajuda. Qual não foi minha surpresa que quando eu virei para o Marco para avisar da boa notícia ele não estava do meu lado? Graças à nossa altura (e sua mochila amarela) O localizei lá na frente, ascenando para mim e apontando para o mar de placas…- É aqui…. Graças à Deus!

Eu amo o caos do Nepal,al, al!!!

Quando cruzamos a fronteira da China com o Nepal

Acordamos cedo em Nhangmu,7 horas da manhã nesse lugar é escuro ainda.
Seguimos para a fronteira chinesa e lógico fomos os primeiros a lá chegar.Depois de uns quinze minutos chegou um grupo de seis austríacos e seu guia.Johanes, Franz x 2,Herbert,Wilma e Hans.Passamos pelos processos de saída e entrada no Nepal praticamente juntos.
Mas vale ressaltar a passagem a pé pela ponte que liga os dois paises.Numa manhã azul, cruzar aquela ponte por cima de uma cachoeira que cortava duas cadeias de montanhas pontudas e verdes. É verdade que passamos por inúmeras cachoeiras um dia anterior e nesse mesmo dia da chegada…Mas essa, a pé… Teve um ¨quê¨ de fantástico. Por um momento nos vimos sozinhos em cima daquela ponte,puxando e carregando nossas malas, e fomos tomados por uma excitação típica de duas crianças descobrindo algo muito divertido. A aventura de estar em cima de uma fronteira, com militares sizudos de um lado e pessoas de todas as idades e tamanhos em meio a vacas coloridas do outro, foi um de alívio extasiante… De repente nos sentimos mais seguros no meio do caos do Nepal do que no estado de sítio em que se encontra o Tibet.
Do outro lado da ponte o contraste entre a rigidez e o easygoing, entre o controle e a liberdade, entre os riqueza(emergente, mas ainda riqueza) e pobreza , entre caras fechadas e sorrisos era latente. Johanes nos ofereceu um tchai e espaço no ônibus deles até Katmandu, por 1000 rupias (U$13,8) fomos numa estrada minimamente segura e esplendorosamente verde até Katmandu.
No meio do caminho passamos por inúmeras vilas na beira da estrada inclusive.E levando-se em conta que esse país é 85% montanhas não foi de se estranhar que as plantações são cultivadas em terraços milenares nas encostas dos morros.Delineando horizontalmente em diferentes tons de verde a paisagem. Irrigadas pelas inúmeras cachoeiras ou até mesmo pelo caldaloso rio que corta o vale. Isso por que passamos por um vale. Dimensione isso por uma cadeia de montanhas que vem  do Himalaia ao norte e vai descendo até a planície indiana. Dando uma pequena porção de ¨planitude¨ ao sul do país.